Quer entender a Bíblia?

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sábado, 26 de janeiro de 2013

Sim, Deus criou o mundo em seis dias!


thechurchninja.com
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A POLÊMICA ATUAL SOBRE GN 1 E 2
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                Atualmente há muitos crentes que ficam confusos quanto aos capítulos 1 e 2 de Gênesis, porque o que é narrado ali não se encaixa de forma alguma nas teorias científicas que eles ouvem hoje sobre a origem do mundo.
                A ciência naturalista supõe atualmente uma idade de 4,5 bilhões de anos para o nosso planeta, enquanto se conferirmos na Bíblia, somando os anos revelados em toda a Escritura em textos bíblicos como “E Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho (...), e pôs-lhe o nome de Sete (...) E viveu Sete cento e cinco anos, e gerou a Enos. (...) E viveu Enos noventa anos, e gerou a Cainã.” (Gn 5:3,6,9)”, chegamos a não mais de 7.000 anos de Criação do mundo. A ciência naturalista supõe que nosso mundo evoluiu lentamente ao longo desses supostos bilhões de anos, enquanto que a Bíblia revela que o planeta foi criado repentinamente, no espaço de seis dias.
                Em vista dessas discordâncias, alguns crentes sugerem que: (a) a narrativa de Gn 1-2 não contenha necessariamente verdades científica, mas seja focada nas verdades religiosas; ou que (b) a narrativa não seja literal, mas seja simbólica; ou ainda que (c) os seis dias sejam considerados ‘eras’, não sejam dias de 24 horas.
                Poderíamos perguntar quantos crentes pensaram nessas hipóteses antes de surgirem as teorias científicas do século XIX, ou ainda, se tais teorias não tivessem surgido, por acaso alguém imaginaria essas possibilidades, o que, em caso de resposta negativa, nos induziria a pensar que tais crentes (?) querem corrigir a Bíblia pela Ciência.
                Mas em vez disso, verifiquemos se o restante da Bíblia suporta essas sugestões, afinal de contas, o melhor intérprete da Bíblia é a própria Bíblia.
               
a) A Bíblia esclarece se Gn 1-2 contém verdades científicas ou se foca em verdades religiosas?
                A Bíblia não faz essa classificação. Na visão bíblica, o que é verdade, é verdade, e o que é falso, é falso. Fazer uma distinção artificial, improvisada e forçada entre verdade religiosa ou verdade científica é uma maneira daqueles que crêem mais na palavra dos homens do que na Palavra de Deus dizerem, de forma indireta, que a Bíblia contém verdades religiosas, mas pode conter erros científicos. Entretanto a Bíblia diz: Tua Palavra é a verdade (Jo 17:17), Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nEle (Pv 30:5), toda a Escritura é divinamente inspirada (2Tm 3:16), a Escritura não pode ser anulada (Jo 10:35) e Deus (...) não pode mentir (Tt 1:2), portanto tudo que Ele diz na Bíblia, tem de ser verdade, tanto científica quanto religiosa.
               
b) A Bíblia esclarece se Gn 1-2 é simbólico ou literal?
                Sim! Sl 33:6,8,9 diz “pela palavra do SENHOR foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo Espírito da Sua boca. (...) Tema toda a terra ao SENHOR; temam-no todos os moradores do mundo. Porque falou, e foi feito; mandou, e logo apareceu”. Nada há de simbólico aqui. Devemos temer ao SENHOR, justamente porque Ele é tão poderoso a ponto de ter criado o mundo pela Sua Palavra. Vejamos como o verso 9 confirma uma Criação rápida: Deus falou e as coisas foram aparecendo, portanto, segundo Salmos 33:6,8,9, a narrativa da Criação de Gn 1-2 é literal.

c) A Bíblia esclarece se os seis dias de Gn 1 podem ser considerados ‘eras’, ou são dias de 24 horas?
                Sim! Em Ex 20:9-11 lemos: Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, (...) Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou. Aqui temos um mandamento para que imitemos a Deus na divisão do nosso tempo semanal, Deus nos ordena que, assim como Ele criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo, nós também trabalhemos seis dias na semana e consagremos a Ele o descanso de um dia por semana. Ora, se os dias da Criação fossem eras compostas por milhares ou milhões de anos, nenhum ser humano poderia cumprir esse mandamento, pois não viveria tempo suficiente. Portanto, este mandamento esclarece que os dias de Gn 1 são dias literais de 24 horas.

                Concluímos que as três sugestões acima são anti-bíblicas, pois contradizem a interpretação que a própria Bíblia faz de Gn 1-2.

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QUAL A RAIZ DESTA DESCRENÇA MODERNA NA PALAVRA DE DEUS?
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                Na verdade toda esta polêmica ocorre por causa de um conflito de filosofias: a do NATURALISMO contra a do SOBRENATURALISMO. 

                NATURALISMO é uma filosofia que afirma que tudo o que acontece no Universo é natural, ocorre dentro das leis da Natureza, e, portanto, pode ser examinado ou explicado cientificamente. Tal teoria aparece com mais força em nossa sociedade a partir do século XIX, e desde então, vem galgando espaço nos centros de formação de conhecimento (universidades e escolas, por exemplo) até se tornar a maioria do pensamento secular e tentar de todos os meios expulsar a Deus do pensamento humano contemporâneo. Essa filosofia é demonstrada, por exemplo, quando as reportagens jornalísticas sempre invocam a ‘Ciência’ para explicar determinado fenômeno observado, e tratam a opinião científica como autoridade máxima para explicar o mundo. 

                SOBRENATURALISMO é outra filosofia diferente, a qual afirma que, dentre as coisas que acontecem no Universo, a maior parte seria composta de eventos naturais, que ocorrem dentro das Leis da Natureza, e podem ser estudados cientificamente. Mas que ao mesmo tempo, no Universo TAMBÉM podem ocorrer eventos sobrenaturais, que não seguem as Leis da Natureza, e por isso, não podem ser estudados ou explicados cientificamente. 

                Será que teríamos a opção de decidir entre essas duas filosofias conflitantes?
                Diz a Palavra: Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis. Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras (1Co 15:1-4). Ora, aqui o apóstolo resume o Evangelho à sua forma mais básica e que deve ser crida por todo cristão, para que ele seja salvo. Reparemos que mesmo nessa forma mínima, o Evangelho já contém eventos sobrenaturais, como o das Escrituras Sagradas terem previsto exatamente o que Cristo iria fazer, bem como o fato dEle ter ressuscitado dos mortos. 

                Assim o cristão não tem opção, a não ser adotar a filosofia SOBRENATURALISTA. Caso ele adote a filosofia NATURALISTA, ele está contradizendo a sua própria confissão de fé, pois no NATURALISMO, eventos sobrenaturais não podem acontecer. Para se ter uma idéia, se um cientista naturalista presenciasse algum dos milagres de Jesus, ele iria dizer que estava diante de algum fenômeno natural desconhecido, e que precisava ser melhor estudado. Nenhum diálogo é possível com essa gente a não ser “O Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho (Mc 1:15)”.

                Porque, então, algum cristão sequer permitiria que teorias, hipóteses, idéias e suposições que nasceram de um ambiente de DESCRENÇA, a qual leva os homens para o INFERNO, terem algum crédito em sua mente, ao ponto de abalar a sua confiança na exatidão literal daquilo que DEUS DISSE sobre o modo como Ele criou o mundo? Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR! (Jr 17:5).

                Ora, o que Deus diz é que Ele criou o mundo de forma SOBRENATURAL, pelo PODER DA SUA PALAVRA.
                Não cabe então nenhum questionamento. A luz foi criada antes do Sol e das estrelas, os peixes e pássaros foram feitos da água, os animais terrestres foram feitos da terra, o primeiro homem foi feito do pó e a primeira mulher foi feita de uma costela.
                O que nós temos são SEIS DIAS DE MILAGRE CONTÍNUO; tudo narrado em Gn 1:1-2:3 é sobrenatural, até porque a Natureza é que estava a ser criada, não havia nada ‘natural’ ainda! É da demonstração do PODER INFINITO DE DEUS que estamos falando.
                Será que alguém pediria também alguma explicação científica para Jesus andar sobre as águas? Alguém quer saber como um pouco de barro curou um cego de nascença? Ou como Jesus multiplicou os pães? E limpou leprosos instantaneamente? E qual a explicação em termos naturais para a Ressurreição de Cristo? Para a Sua Ascensão? Sua Volta em glória? Se nenhum de nós pede explicação para os milagres de Jesus, porque o faríamos para o milagre de Deus criar o mundo em seis dias literais?

                Está fora do alcance da ciência naturalista examinar qualquer evento sobrenatural. Se há incompatibilidade entre a narrativa bíblica e alguma teoria científica, certamente é porque a teoria científica está errada, e ela sempre vai estar certamente errada quando negar a ocorrência de milagres que Deus revela ter realizado pelo Seu poder.
                Aliás, toda afirmação, idéia, hipótese, filosofia, ciência e teoria, de todo o mundo, em todos os tempos, ditas por quaisquer homens, sempre estarão CERTAMENTE ERRADAS em tudo que afirmarem em contradição a qualquer uma de todas as verdades que Deus afirma na Bíblia, ou mesmo de qualquer uma de todas as implicações lógicas possíveis das verdades bíblicas (veja especialmente Jo 10:34-36; e, novamente, Jo 17:17; Pv 30:5; 2Tm 3:16 e Tt 1:2).

           Se alguma harmonização entre a Narrativa Bíblica da Criação e as teorias científicas modernas fosse necessária (e que fique bem claro que não é), esta deveria ser feita sem rebaixar a Palavra à falibilidade, sem admitir erro na Escritura, nem mentira em Deus, nunca corrigindo a Bíblia pela Ciência, mas sempre corrigindo a Ciência pela Bíblia.
                Talvez pudéssemos dizer:
                “Que Deus criou o mundo e tudo que nele há, em seis dias literais, a poucos milhares de anos atrás, mas o criou com aparência de idade mais antiga. Sendo essa aparência de idade antiga aquilo que os cientistas estudam, esse é o motivo deles afirmarem uma idade antiga para o mundo.
                Tal como se, supondo nós que Deus criou Adão adulto, nós encontrássemos Adão um mês depois dele ter sido criado. O que vemos? Um homem aparentando uns vinte anos de idade. Jamais diríamos que ele tem apenas um mês de idade, pois um ser humano de um mês tem aparência de bebê, e não de adulto.
                Da mesma forma, Deus então teria criado de forma SOBRENATURAL um mundo adulto, e assim está fora da capacidade dos cientistas medir corretamente a idade deste mundo enquanto adotarem a filosofia do NATURALISMO, pois a mesma nega de forma fanática, irracional e injustificada, a possibilidade de eventos sobrenaturais.”
                Mas essa não é a maneira mais bíblica, nem a mais precisa, de se tratar esse assunto. Bem melhor é dizer ao naturalista:
                 
“ 
– Já sei que essa tal teoria está errada.
– Por quê?
Porque ‘ASSIM DISSE O SENHOR DEUS EM SUA PALAVRA’...


domingo, 22 de janeiro de 2012

Apologia do Cristianismo a partir da validade necessária da Razão


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1 - A Razão é necessária a todo pensamento, portanto, é necessária a todo conhecimento.
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2 - A Razão, por definição, é necessariamente proposicional, imaterial, imutável, infalível e eterna.
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3 - Sendo proposicional, a Razão tem natureza mental.
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(Comentário 1) - Para mais detalhes sobre esses primeiros pontos, pode-se considerar a mesma argumentação de Gordon Clark, quando argumentando sobre ‘a existência de Deus a partir da existência da verdade’ em http://www.monergismo.com/textos/filosofia/argumento-verdade-clark_nash.pdf
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4 – Para que o conhecimento verdadeiro do universo seja possível, as leis da Razão conhecidas pelas mentes humanas precisam ser necessariamente e intrinsecamente verdadeiras e válidas neste universo, ou seja, o universo precisa ser intrinsecamente racional para ser ‘conhecível’ (cognoscível).
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(Comentário 2) -
Se propuséssemos que as leis da lógica não funcionam no universo, ou o universo não tem racionalidade real, ou que as leis da lógica são meras abstrações mentais, em qualquer destas hipóteses, as leis da lógica já não teriam validade real, e isso tornaria o conhecimento impossível, o que auto-destrói essas hipóteses.

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domingo, 3 de julho de 2011

COMO CONHECEMOS O MUNDO? Alguns pensamentos em Epistemologia.



O SENHOR dá a sabedoria;
da Sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento.
(Pv 2:6)
1 – O que são teorias epistemológicas.
Teorias epistemológicas são as teorias do conhecimento, ou seja, as que versam sobre como podemos saber alguma coisa. A classificação mais usada é dividi-las entre empirismo e racionalismo.
Empirismo é a abordagem que diz que obtemos conhecimento pelo uso dos sentidos (visão, audição, etc.).
O racionalismo contempla as abordagens que começam algum axioma lógico (pressuposto) e a partir daí dedutivamente constroem o conhecimento. Entre os pontos de partida que podem ser supostos estão a intuição, a existência, a razão e o senso comum.
Alguns, como Kant, procuram fazer uma síntese entre empirismo e racionalismo.
Essas são as teorias clássicas da epistemologia.
Nossa proposta é por uma outra teoria, que poderia ser classificada como racionalista (dedutiva) mas que tem o diferencial de uma base infalível e inerrante: o OCASIONALISMO ESCRITURALISTA.
Os principais autores que advogam essa teoria são Gordon Clark e Vincent Cheung. Eles adaptaram e aprimoraram apontamentos de Agostinho, Lutero, Calvino e Jonathan Edwards sobre esse assunto.
2 – O ocasionalismo escrituralista é a única teoria epistemológica racionalmente válida.
Ocasionalismo escrituralista é uma teoria epistemológica baseada na Revelação Verbal de Deus (Bíblia), pela qual o conhecimento é obtido pela operação direta de Deus nas mentes humanas, na obra comum da Sua Providência. Segundo esta teoria, Deus causa cada obtenção de conhecimento por parte dos seres humanos, de forma simultânea ou não com a operação dos sentidos humanos e seus raciocínios mentais.
É chamada ocasionalismo, porque a operação dos sentidos ou o raciocínio mental é a apenas a ocasião que Deus costumeiramente usa para transmitir conhecimento à mente humana. Assim a aquisição de conhecimento depende metafisicamente de uma operação providencial de Deus, e pode acontecer à parte do uso dos sentidos e raciocínios, embora costume acontecer simultaneamente a estes, sendo, porém sempre independente destes. Que fique claro que ‘costuma acontecer’ significa ‘Deus costuma agir assim’, pois o sistema todo depende da Providência exaustiva de Deus.
Tal teoria é classificada como escrituralista, para definir que seu axioma (ponto de partida ou pressuposto que fundamenta o sistema) é a Revelação Verbal de Deus (Bíblia), a qual justifica a si mesmo, nos informa sobre Deus e Suas operações, e contém informação suficiente para construção da cosmovisão cristã, a única cosmovisão racionalmente válida. Além disso, pelo fato da Revelação Verbal de Deus ser infalível, esta é o aferidor último da verdade, e fonte do conhecimento verdadeiro, o qual consistirá em todas as proposições da Bíblia, bem como todas as suas implicações lógicas, obtidas dedutivamente. Toda alegação que não constituir-se proposição bíblica ou não possa ser justificada por implicação lógica de alguma proposição bíblica é conhecimento incerto e especulativo.
Observação: ser um escrituralista é basear o conhecimento verdadeiro nas Escrituras, assim teoricamente alguém poderia ser escrituralista sem ser ocasionalista e vice versa, mas na prática os dois paradigmas aparecem juntos nos teólogos relevantes.
Nossa alegação, de que o ocasionalismo escrituralista é a única epistemologia racionalmente válida decorre em primeiro lugar do caráter infalível e auto-justificador da Revelação Verbal de Deus, mas é confirmada pela total irracionalidade das outras teorias epistemológicas propostas.
Se houvesse alguma outra epistemologia que seja racionalmente válida, ou com a qual se possa construir alguma cosmovisão, tal teoria será digna de exame. Afirmamos, porém, que isto nunca acontecerá, a não ser por um aprimoramento do próprio ocasionalismo escrituralista. E desafiar quem pensa diferente a provar sua teoria é um dos propósitos deste texto.
3 – As outras teorias epistemológicas são irracionais.
O empirismo afirma que obtemos todo nosso conhecimento a partir dos sentidos. Mas ele não justifica a si próprio. Como foi obtido o conhecimento de que “todo o conhecimento vem a partir dos sentidos”? Certamente não foi pelos sentidos, pois não há seres humanos oniscientes. Portanto o empirismo é auto-contraditório. Como se isso não bastasse, ele propõe uma confiança naquilo que sabe-se ser não-confiável. Sentidos não são infalíveis. Se eles não são infalíveis, não servem como aferidores últimos da verdade, pois não saberemos quando estão certos ou errados. Portanto o empirismo falha completamente antes mesmo de começar. Diga-se de passagem que o método científico, por basear-se no empirismo, também é incapaz de prover qualquer conhecimento confiável. O método científico também sofre de falácias permanentes e contínuas, como depender de raciocínio indutivo, generalizando a partir do particular; afirmação do consequente; incapacidade de estabelecer causalidade; impossibilidade de todos os seres humanos presenciarem empiricamente todas as experiências que baseiam as  teorias científicas, portanto tendo que confiar no que lhe dizem livros e professores, o que a rigor é falácia de apelo à autoridade, etc.
O racionalismo podia ser menos pior, mas chafurda na mesma inutilidade, porém por motivos diferentes. Os pontos de partidas possíveis, qualquer deles, são todos arbitrários, ou seja, não justificam a si mesmos. Em segundo lugar, alguns deles são extremamente subjetivos (senso comum, intuição), podendo significar coisas totalmente diferentes para pessoas diferentes. Além disso, esses pontos de partida não alegam, nem podem alegar infalibilidade. Mas o principal defeito, e esse mortal, é que eles não têm conteúdo suficiente para construir uma cosmovisão. Assim a ignição do carro está funcionando, mas não há nenhum combustível, a centelha no motor é inútil.
Lembremos que os sinteticistas (empirismo + racionalismo, Kant) são piores ainda, e caem no ridículo, ao combinar os defeitos dos dois sistemas.
O menos pior desses pontos de partida é o da existência (‘penso, logo existo’, de Descartes), mas sendo estabelecido que você existe, como você prossegue para estabelecer os outros axiomas metafísicos? A partir daí, você não chega aos axiomas de que o mundo físico existe, que existem outras mentes, que a comunicação é possível, que o conhecimento é possível, etc. Não pode, a não ser por meio de saltos de credulidade.
Assim, os ímpios cometem o erro da credulidade injustificada, erro que eles tolamente acusam nos crentes. Mas os crentes escrituralistas não cometem esse erro, pois receberam um tipo infalível de conhecimento: a Revelação Verbal de Deus. É racional e lógico crer no infalível em detrimento do falível.
4 – Nada é possível de ser conhecido fora do ocasionalismo escrituralista.
Afirmamos, portanto, que o ocasionalismo escrituralista é a única epistemologia verdadeira, e única com validade lógica.
Não adianta contestar o conteúdo da Revelação Verbal de Deus com teorias baseadas em empirismo, por exemplo, pois já provamos que o empirismo é racionalmente injustificável. Prove primeiro a validade lógica do empirismo, e depois você vai poder saber alguma coisa, para aí sim poder contestar alguma coisa.
Aqueles que recusam-se a crer no ocasionalismo escrituralista deviam cair em ceticismo completo, pois todos os outros sistemas são inúteis para saber-se qualquer coisa.
Porém o ceticismo só serve como posição transitória, ninguém pode permanecer nele por mais de um segundo, pois o ceticismo também é auto-contraditório, ao alegar saber “que ninguém pode saber nada” (se isso fosse verdade, ele não poderia saber nem isso).
O caro leitor já deve ter desconfiado que para ser um ocasionalista escrituralista é necessário aderir ao Cristianismo. De fato, é isso mesmo que afirmamos, o que significa que todos os não-cristãos não podem reivindicar saber coisa alguma sobre nada, pois nenhum não-cristão pode ter qualquer epistemologia válida. Caso você discorde, sinta-se desafiado a provar o contrário, estabelecendo a validade lógica de qualquer epistemologia diferente da que estamos apresentando.
5 – O ocasionalismo escrituralista implica no determinismo bíblico.
Com esta afirmação lembramos que não é qualquer tipo de Cristianismo, ou coisa que tenha indevidamente tal nome, que pode fazer as alegações deste texto.
Por falta de profundidade e reflexão, inúmeros cristãos introduzem contradições em sua cosmovisão particular, lançando mão das epistemologias inválidas que denunciamos acima, ou crendo demasiadamente em mestres ímpios, erradamente considerados sábios. O preço a se pagar é alto, não só em inconsistências internas como em desonra ao nome de Cristo. Ás suas incoerências denominam ‘mistérios’, e querem pular seus becos sem-saída com ‘saltos de fé’, como se a fé fosse a justificação das contradições. Pior ainda é estes cristão empurrarem sua fé para os terrenos cada vez mais abstratos, sem ligação com o ‘mundo real’ até que ela realmente pareça coisa da imaginação deles, ou um passatempo que eles fazem aos domingos.
Contra este estado de coisas, vindicamos o determinismo bíblico como um divino remédio, um remédio racionalmente necessário, por ser implicação da única epistemologia racionalmente coerente e necessariamente verdadeira.
Por que o determinismo bíblico é implicação do ocasionalismo escrituralista? Porque o ocasionalismo requer um Deus Todo-Providente, ou seja um Deus que esteja agindo em todo lugar a todo o tempo, sustentando todas as coisas; Onipotente, Onipresente, Onisciente e Soberano; um Deus que esteja governando tudo de tudo. Só um Deus assim pode prover as obtenções de conhecimento conforme entendidas pelo ocasionalismo. Mas, é claro, nosso conceito de Deus não foi determinado pelo que nossa epistemologia precisa, antes nossa epistemologia é que foi formulada em cima da Revelação que este Deus fez de Si mesmo. Estamos apenas seguindo o argumento dado na introdução deste texto.
Talvez algum cristão vá discordar que Deus esteja governando tudo de tudo, principalmente aqueles cristãos que crêem que o ser humano tem livre-arbítrio. Tais cristãos dirão que nossa interpretação bíblica está errada, e deve haver algum recôndito no coração da mente humana que Deus não controle. Tais cristãos podem ser denominados como libertarianos, para fazermos contraste com os cristãos deterministas.
Esses cristãos libertarianos precisarão encarar o mesmo desafio que fizemos às epistemologias pagãs. Se há algo que Deus não controle, então o ocasionalismo é falso. Uma vez que afirmamos que o ocasionalismo é a única teoria do conhecimento racionalmente válida, ficamos sem teoria do conhecimento (epistemologia) válida. Portanto caímos em ceticismo, mas não podemos permanecer nele, pois o ceticismo é auto-refutante. Portanto, libertariano, como você pode saber qualquer coisa? Qual a sua teoria do conhecimento (epistemologia)? Ela é válida, ou você sofre dos mesmos problemas já relacionados na nossa crítica ao empirismo e ao racionalismo? O seu suposto livre-arbítrio é a sua pedra de tropeço.
De forma diferente, um cristão ocasionalista afirma que alguém só pode saber algo por causa do determinismo bíblico: a Bíblia afirma Deus como Onisciente, Todo-Poderoso, Todo-Providente e Todo-Soberano. E esse mesmo poder e soberania de Deus que implicam em Deus controlar os nossos pensamentos. Se Deus não controlar nossos pensamentos, Ele não é Todo-Soberano.
Deus sabe tudo, e as pessoas saberão o que Deus quiser que elas saibam, pois Deus controla tudo de tudo, inclusive o conhecimento das pessoas.
Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos (Pv 2:7), a saber, para o Seu povo, redimido e comprado pelo sangue de Jesus Cristo, em Quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Cl 2:3). Somente estes são por Deus capacitados a conhecer plenamente o mundo, pois aprendem das verdadeiras palavras que o Criador do mundo falou. Ele sabe o mundo que criou e sustenta, assim o que Ele diz sobre o mundo é a verdade, à qual temos acesso em Sua Palavra.
Em contraste, os ímpios têm uma visão distorcida de todas as coisas, chafurdam na irracionalidade, fingindo ser racionais, fazendo de conta que podem saber alguma coisa, estão aprisionados na vaidade da sua mente, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração (Ef 4:17,18).
Ainda que seja assim, é impressionante verificar que Deus ainda é bondoso para com esses ímpios, permitindo que eles saibam algumas verdades sobre o mundo. De outra forma, lhes seria impossível viver, a não ser na insanidade.
Mas por ingratidão, teimosia, rebeldia, e mesmo incapacidade intelectual, os ímpios recusam-se dar a Deus o crédito devido pelo que eles sabem, pelo conhecimento que certamente não veio de suas teorias irracionais.
Por causa do seu orgulho, o ímpio não investiga; todas as sua cogitações são: Não há Deus. (Sl 10:4)
Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. (Jo 8:12)
Arrependei-vos e crede no Evangelho! (Mc 1:15)

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