Quer entender a Bíblia?

domingo, 3 de julho de 2011

COMO CONHECEMOS O MUNDO? Alguns pensamentos em Epistemologia.



O SENHOR dá a sabedoria;
da Sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento.
(Pv 2:6)
1 – O que são teorias epistemológicas.
Teorias epistemológicas são as teorias do conhecimento, ou seja, as que versam sobre como podemos saber alguma coisa. A classificação mais usada é dividi-las entre empirismo e racionalismo.
Empirismo é a abordagem que diz que obtemos conhecimento pelo uso dos sentidos (visão, audição, etc.).
O racionalismo contempla as abordagens que começam algum axioma lógico (pressuposto) e a partir daí dedutivamente constroem o conhecimento. Entre os pontos de partida que podem ser supostos estão a intuição, a existência, a razão e o senso comum.
Alguns, como Kant, procuram fazer uma síntese entre empirismo e racionalismo.
Essas são as teorias clássicas da epistemologia.
Nossa proposta é por uma outra teoria, que poderia ser classificada como racionalista (dedutiva) mas que tem o diferencial de uma base infalível e inerrante: o OCASIONALISMO ESCRITURALISTA.
Os principais autores que advogam essa teoria são Gordon Clark e Vincent Cheung. Eles adaptaram e aprimoraram apontamentos de Agostinho, Lutero, Calvino e Jonathan Edwards sobre esse assunto.
2 – O ocasionalismo escrituralista é a única teoria epistemológica racionalmente válida.
Ocasionalismo escrituralista é uma teoria epistemológica baseada na Revelação Verbal de Deus (Bíblia), pela qual o conhecimento é obtido pela operação direta de Deus nas mentes humanas, na obra comum da Sua Providência. Segundo esta teoria, Deus causa cada obtenção de conhecimento por parte dos seres humanos, de forma simultânea ou não com a operação dos sentidos humanos e seus raciocínios mentais.
É chamada ocasionalismo, porque a operação dos sentidos ou o raciocínio mental é a apenas a ocasião que Deus costumeiramente usa para transmitir conhecimento à mente humana. Assim a aquisição de conhecimento depende metafisicamente de uma operação providencial de Deus, e pode acontecer à parte do uso dos sentidos e raciocínios, embora costume acontecer simultaneamente a estes, sendo, porém sempre independente destes. Que fique claro que ‘costuma acontecer’ significa ‘Deus costuma agir assim’, pois o sistema todo depende da Providência exaustiva de Deus.
Tal teoria é classificada como escrituralista, para definir que seu axioma (ponto de partida ou pressuposto que fundamenta o sistema) é a Revelação Verbal de Deus (Bíblia), a qual justifica a si mesmo, nos informa sobre Deus e Suas operações, e contém informação suficiente para construção da cosmovisão cristã, a única cosmovisão racionalmente válida. Além disso, pelo fato da Revelação Verbal de Deus ser infalível, esta é o aferidor último da verdade, e fonte do conhecimento verdadeiro, o qual consistirá em todas as proposições da Bíblia, bem como todas as suas implicações lógicas, obtidas dedutivamente. Toda alegação que não constituir-se proposição bíblica ou não possa ser justificada por implicação lógica de alguma proposição bíblica é conhecimento incerto e especulativo.
Observação: ser um escrituralista é basear o conhecimento verdadeiro nas Escrituras, assim teoricamente alguém poderia ser escrituralista sem ser ocasionalista e vice versa, mas na prática os dois paradigmas aparecem juntos nos teólogos relevantes.
Nossa alegação, de que o ocasionalismo escrituralista é a única epistemologia racionalmente válida decorre em primeiro lugar do caráter infalível e auto-justificador da Revelação Verbal de Deus, mas é confirmada pela total irracionalidade das outras teorias epistemológicas propostas.
Se houvesse alguma outra epistemologia que seja racionalmente válida, ou com a qual se possa construir alguma cosmovisão, tal teoria será digna de exame. Afirmamos, porém, que isto nunca acontecerá, a não ser por um aprimoramento do próprio ocasionalismo escrituralista. E desafiar quem pensa diferente a provar sua teoria é um dos propósitos deste texto.
3 – As outras teorias epistemológicas são irracionais.
O empirismo afirma que obtemos todo nosso conhecimento a partir dos sentidos. Mas ele não justifica a si próprio. Como foi obtido o conhecimento de que “todo o conhecimento vem a partir dos sentidos”? Certamente não foi pelos sentidos, pois não há seres humanos oniscientes. Portanto o empirismo é auto-contraditório. Como se isso não bastasse, ele propõe uma confiança naquilo que sabe-se ser não-confiável. Sentidos não são infalíveis. Se eles não são infalíveis, não servem como aferidores últimos da verdade, pois não saberemos quando estão certos ou errados. Portanto o empirismo falha completamente antes mesmo de começar. Diga-se de passagem que o método científico, por basear-se no empirismo, também é incapaz de prover qualquer conhecimento confiável. O método científico também sofre de falácias permanentes e contínuas, como depender de raciocínio indutivo, generalizando a partir do particular; afirmação do consequente; incapacidade de estabelecer causalidade; impossibilidade de todos os seres humanos presenciarem empiricamente todas as experiências que baseiam as  teorias científicas, portanto tendo que confiar no que lhe dizem livros e professores, o que a rigor é falácia de apelo à autoridade, etc.
O racionalismo podia ser menos pior, mas chafurda na mesma inutilidade, porém por motivos diferentes. Os pontos de partidas possíveis, qualquer deles, são todos arbitrários, ou seja, não justificam a si mesmos. Em segundo lugar, alguns deles são extremamente subjetivos (senso comum, intuição), podendo significar coisas totalmente diferentes para pessoas diferentes. Além disso, esses pontos de partida não alegam, nem podem alegar infalibilidade. Mas o principal defeito, e esse mortal, é que eles não têm conteúdo suficiente para construir uma cosmovisão. Assim a ignição do carro está funcionando, mas não há nenhum combustível, a centelha no motor é inútil.
Lembremos que os sinteticistas (empirismo + racionalismo, Kant) são piores ainda, e caem no ridículo, ao combinar os defeitos dos dois sistemas.
O menos pior desses pontos de partida é o da existência (‘penso, logo existo’, de Descartes), mas sendo estabelecido que você existe, como você prossegue para estabelecer os outros axiomas metafísicos? A partir daí, você não chega aos axiomas de que o mundo físico existe, que existem outras mentes, que a comunicação é possível, que o conhecimento é possível, etc. Não pode, a não ser por meio de saltos de credulidade.
Assim, os ímpios cometem o erro da credulidade injustificada, erro que eles tolamente acusam nos crentes. Mas os crentes escrituralistas não cometem esse erro, pois receberam um tipo infalível de conhecimento: a Revelação Verbal de Deus. É racional e lógico crer no infalível em detrimento do falível.
4 – Nada é possível de ser conhecido fora do ocasionalismo escrituralista.
Afirmamos, portanto, que o ocasionalismo escrituralista é a única epistemologia verdadeira, e única com validade lógica.
Não adianta contestar o conteúdo da Revelação Verbal de Deus com teorias baseadas em empirismo, por exemplo, pois já provamos que o empirismo é racionalmente injustificável. Prove primeiro a validade lógica do empirismo, e depois você vai poder saber alguma coisa, para aí sim poder contestar alguma coisa.
Aqueles que recusam-se a crer no ocasionalismo escrituralista deviam cair em ceticismo completo, pois todos os outros sistemas são inúteis para saber-se qualquer coisa.
Porém o ceticismo só serve como posição transitória, ninguém pode permanecer nele por mais de um segundo, pois o ceticismo também é auto-contraditório, ao alegar saber “que ninguém pode saber nada” (se isso fosse verdade, ele não poderia saber nem isso).
O caro leitor já deve ter desconfiado que para ser um ocasionalista escrituralista é necessário aderir ao Cristianismo. De fato, é isso mesmo que afirmamos, o que significa que todos os não-cristãos não podem reivindicar saber coisa alguma sobre nada, pois nenhum não-cristão pode ter qualquer epistemologia válida. Caso você discorde, sinta-se desafiado a provar o contrário, estabelecendo a validade lógica de qualquer epistemologia diferente da que estamos apresentando.
5 – O ocasionalismo escrituralista implica no determinismo bíblico.
Com esta afirmação lembramos que não é qualquer tipo de Cristianismo, ou coisa que tenha indevidamente tal nome, que pode fazer as alegações deste texto.
Por falta de profundidade e reflexão, inúmeros cristãos introduzem contradições em sua cosmovisão particular, lançando mão das epistemologias inválidas que denunciamos acima, ou crendo demasiadamente em mestres ímpios, erradamente considerados sábios. O preço a se pagar é alto, não só em inconsistências internas como em desonra ao nome de Cristo. Ás suas incoerências denominam ‘mistérios’, e querem pular seus becos sem-saída com ‘saltos de fé’, como se a fé fosse a justificação das contradições. Pior ainda é estes cristão empurrarem sua fé para os terrenos cada vez mais abstratos, sem ligação com o ‘mundo real’ até que ela realmente pareça coisa da imaginação deles, ou um passatempo que eles fazem aos domingos.
Contra este estado de coisas, vindicamos o determinismo bíblico como um divino remédio, um remédio racionalmente necessário, por ser implicação da única epistemologia racionalmente coerente e necessariamente verdadeira.
Por que o determinismo bíblico é implicação do ocasionalismo escrituralista? Porque o ocasionalismo requer um Deus Todo-Providente, ou seja um Deus que esteja agindo em todo lugar a todo o tempo, sustentando todas as coisas; Onipotente, Onipresente, Onisciente e Soberano; um Deus que esteja governando tudo de tudo. Só um Deus assim pode prover as obtenções de conhecimento conforme entendidas pelo ocasionalismo. Mas, é claro, nosso conceito de Deus não foi determinado pelo que nossa epistemologia precisa, antes nossa epistemologia é que foi formulada em cima da Revelação que este Deus fez de Si mesmo. Estamos apenas seguindo o argumento dado na introdução deste texto.
Talvez algum cristão vá discordar que Deus esteja governando tudo de tudo, principalmente aqueles cristãos que crêem que o ser humano tem livre-arbítrio. Tais cristãos dirão que nossa interpretação bíblica está errada, e deve haver algum recôndito no coração da mente humana que Deus não controle. Tais cristãos podem ser denominados como libertarianos, para fazermos contraste com os cristãos deterministas.
Esses cristãos libertarianos precisarão encarar o mesmo desafio que fizemos às epistemologias pagãs. Se há algo que Deus não controle, então o ocasionalismo é falso. Uma vez que afirmamos que o ocasionalismo é a única teoria do conhecimento racionalmente válida, ficamos sem teoria do conhecimento (epistemologia) válida. Portanto caímos em ceticismo, mas não podemos permanecer nele, pois o ceticismo é auto-refutante. Portanto, libertariano, como você pode saber qualquer coisa? Qual a sua teoria do conhecimento (epistemologia)? Ela é válida, ou você sofre dos mesmos problemas já relacionados na nossa crítica ao empirismo e ao racionalismo? O seu suposto livre-arbítrio é a sua pedra de tropeço.
De forma diferente, um cristão ocasionalista afirma que alguém só pode saber algo por causa do determinismo bíblico: a Bíblia afirma Deus como Onisciente, Todo-Poderoso, Todo-Providente e Todo-Soberano. E esse mesmo poder e soberania de Deus que implicam em Deus controlar os nossos pensamentos. Se Deus não controlar nossos pensamentos, Ele não é Todo-Soberano.
Deus sabe tudo, e as pessoas saberão o que Deus quiser que elas saibam, pois Deus controla tudo de tudo, inclusive o conhecimento das pessoas.
Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos (Pv 2:7), a saber, para o Seu povo, redimido e comprado pelo sangue de Jesus Cristo, em Quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Cl 2:3). Somente estes são por Deus capacitados a conhecer plenamente o mundo, pois aprendem das verdadeiras palavras que o Criador do mundo falou. Ele sabe o mundo que criou e sustenta, assim o que Ele diz sobre o mundo é a verdade, à qual temos acesso em Sua Palavra.
Em contraste, os ímpios têm uma visão distorcida de todas as coisas, chafurdam na irracionalidade, fingindo ser racionais, fazendo de conta que podem saber alguma coisa, estão aprisionados na vaidade da sua mente, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração (Ef 4:17,18).
Ainda que seja assim, é impressionante verificar que Deus ainda é bondoso para com esses ímpios, permitindo que eles saibam algumas verdades sobre o mundo. De outra forma, lhes seria impossível viver, a não ser na insanidade.
Mas por ingratidão, teimosia, rebeldia, e mesmo incapacidade intelectual, os ímpios recusam-se dar a Deus o crédito devido pelo que eles sabem, pelo conhecimento que certamente não veio de suas teorias irracionais.
Por causa do seu orgulho, o ímpio não investiga; todas as sua cogitações são: Não há Deus. (Sl 10:4)
Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. (Jo 8:12)
Arrependei-vos e crede no Evangelho! (Mc 1:15)

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terça-feira, 6 de abril de 2010

Chuva provoca feriado forçado no Rio de Janeiro - Quem decretou isso?



Neste dia 06 de abril de 2010, a maioria dos serviços e estabelecimentos na cidade do Rio de Janeiro não puderam funcionar, por conta do alagamento da cidade, que impediu que milhares de pessoas se deslocassem ao seu local de trabalho, muitas das que tentaram chegar ao local de trabalho, voltaram no meio do caminho.
Desde a noite da segunda feira 05 de abril até a manhã de terça feira, a cidade teve um índice pluviométrico de 200 ml, o que equivale à chuva esperada de um mês.

Négócios não foram feitos, serviços não foram prestados, trabalhos não foram realizados, muitos planos que os cariocas tinham na segunda feira para executarem na terça feira, foram cancelados ou adiados.

Ao pensarmos na causa imediata deste fato, podemos citar a chuva mais rigorosa que o normal.
Ao pensarmos na culpa, podemos citar as autoridades, a população, a falta de planejamento urbano, manutenção, etc.

Mas ao pensarmos na causa final de todas as coisas, que se estende a este evento singular, do cancelamentos dos nossos planos para o dia, devemos nos lembrar dAquele que está no comando do mundo.

Ele é quem pode parar uma cidade inteira. Ele é quem pode cancelar todos os planos humanos.
Ele é quem não pode ser parado por ninguém e Ele é tal que nenhum dos Seus planos pode ser impedido.

Esta é uma ocasião rica para nos proclamarmos a soberania dAquele que governa o mundo, e nos rendermos a Ele.

"Eia agora vós, que dizeis: Hoje, ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos; Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. (...) Em lugar do que devíeis dizer: Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo." (Tiago 4:13-15).

Sim, Senhor, só se Tu quiseres, que faremos qualquer coisa amanhã, de tudo que planejamos hoje.

terça-feira, 23 de março de 2010

O julgamento do casal Nardoni e falta de reconhecimento da inerente maldade humana



Na superexposição do casal Nardoni e do caso Isabella, e de quaisquer casos semelhantes que ocorram, um dos comportamentos recorrentes é o do julgamento e condenação da opinião pública, antes do julgamento oficial.
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Sem querer diminuir o horror de tal fato, da morte da menina, e a justa indignação que devemos sentir em tais casos, deveríamos também usar tal ocasião para lembrar do ensino bíblico sobre a maldade da raça humana.
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O Senhor Jesus disse que o nosso coração é a fonte de todo tipo de pecado e maldade:

Marcos 7:20-23
20 E dizia: O que sai do homem isso contamina o homem.
21 Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios,
22 Os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura.
23 Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem.

O Senhor Deus disse que "a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice" (Gn 8:21).

Davi disse que "alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras" (Sl 58:3).
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E outras muitas passagens somam-se a estas no ensino que a raça humana, caída, tem em seu coração a fonte de todas as maldades possíveis e imagináveis.
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Se reconhecêssemos isso, seríamos menos rápidos em aniquilar a humanidade de pessoas como o casal Nardoni, mesmo estes comentendo tão grosseira maldade.
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Pois se no coração de todo ser humano, o que inclui eu e você, há a semente de todo o tipo de mal, eu e você somos potenciais nardonis, ou hitlers, ou mansons.
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A graça comum de Deus, que atua sobre toda a humanidade, é a causa da raça humana não ser pior do que já é.
Por meio da consciência e da coerção da sociedade, o Espírito Santo impede os seres humanos de serem completamente maus.
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Assim, antes de chamarmos os nardonis de monstros, nos congratulando por não sermos tão maus quanto eles, reconheçamos Quem tem nos impedido de agirmos como monstros.
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Em verdade, se Deus não tivesse restringido a maldade dos nardonis, eles seriam piores do que são.
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E se Deus não restringisse a minha e a sua maldade, nós seríamos piores que os nardonis.


quinta-feira, 18 de setembro de 2008

SOMENTE A DEUS TODA A GLÓRIA

(Soli Deo Gloria)
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“Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao Teu nome dá glória, por amor da Tua misericórdia e da Tua fidelidade” (Salmo 115.1).
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Somente Deus é perfeito. Isso significa que nós somos imperfeitos.
Somente Deus é puro. Isso significa que nós somos impuros.
Somente Deus é justo. Isso significa que nós somos injustos.
Somente Deus é onipotente. Isso significa que nossa capacidade é limitada.
Somente Deus é onisciente. Isso significa que nós não sabemos tudo.
Somente Deus é onipresente. Isso significa que nós não estamos presentes a tudo.
Somente Deus é bom (Mc 10:18). Isso significa que nós somos maus.
Somente Deus é santo (Ap 15:4). Isso significa que nós somos pecadores.
Somente Deus é o Legislador (Tg 4:12). Isso significa que nós não podemos julgar os outros.
Somente Deus é imortal (1Tm 6:16). Isso significa que nós somos mortais.
Somente Deus está sobre todos (Ef 4:6). Isso significa que nós não estamos acima dos outros.
Somente Deus é por todos (Ef 4:6). Isso significa que nós não podemos ajudar a todos.
Somente Deus é em todos (Ef 4:6). Isso significa que nós não podemos influenciar todas as pessoas.
Somente há um Deus (1Co 8:4). Isso significa que nós não somos deuses, apenas criaturas.
Somente Deus é dono de tudo (1Co 8:6). Isso significa que nós não somos donos de nada.
Somente para Deus nós vivemos (1Co 8:6). Isso significa que nós não podemos viver para nós mesmos, para outras coisas, causas ou pessoas. E também que as pessoas não podem viver para nós.
Somente de Deus vem a honra que merece ser buscada (Jo 5:44). Isso significa que nós não podemos receber a honra que vem dos homens.
Somente a Deus devemos adorar. Isso significa que nós não devemos adorar a mais nada, nem ninguém (Lc 4:8).
Somente um é nosso Pai, o que está nos céus (Mt 23:9). Isso significa que nós não podemos dar reverência total a qualquer pessoa da terra.
Somente a Deus pertence o temor (Jr 10:7). Isso significa que nós não podemos temer a mais ninguém.
Somente o Senhor é Deus de todos os reinos da terra (Is 37:16). Isso significa que nós não dominamos em nada o destino das nações.
Somente o Senhor será exaltado (Is 2:17). Isso significa que nós não podemos ser exaltados; nossa arrogância deve ser humilhada e nossa altivez deve ser abatida.
Somente o nome do Senhor é exaltado (Sl 148:13). Isso significa que o nosso nome não deve ser exaltado.
Somente o Senhor Deus faz maravilhas (Sl 72:18). Isso significa que nós não podemos fazer maravilhas.
Somente o Senhor nos faz habitar em segurança (Sl 4:8). Isso significa que nós não podemos garantir nossa segurança.
Somente o Senhor conhece os corações dos homens (2Cr 6:30). Isso significa que nós não podemos saber o que há nos corações das pessoas.
Somente para Deus são todas as coisas (Rm 11:36). Isso significa que nada é para nós.
Somente por conhecer a Deus e ao Cristo que Ele enviou é que as pessoas receberão vida eterna (Jo 17:3). Isso significa que as pessoas não precisam nos conhecer para receberem a vida eterna.
Somente Cristo é o Senhor (1Co 8:6). Isso significa que nós não dominamos nada.
Somente por Cristo são todas as coisas (1Co 8:6). Isso significa que nada é por nós.
Somente Cristo é Mediador (1Tm 2:5). Isso significa que nós não podemos fazer a ligação entre Deus e os homens.
Somente há um corpo de Cristo (1Co 12:12). Isso significa que somos membros uns dos outros, e todos membros de Cristo.
Somente um ato de justiça de Cristo trouxe a Graça da Salvação (Rm 5:18). Isso significa que nenhum ato de nossa justiça pode trazer a Graça da Salvação sobre nós.
Somente a obediência de Cristo pôde nos fazer justos (Rm 5:19). Isso significa que a nossa obediência não pode nos fazer justos.
Somente por Cristo o dom da Graça abundou sobre muitos (Rm 5:15). Isso significa que nós não podemos providenciar a salvação dos outros.
Somente por Cristo reinaremos em vida (Rm 5:17). Isso significa que o Reino de Deus é o único reino que nos interessa.
Somente o Cristo é nosso Mestre (Mt 23:10). Isso significa que nós não devemos nos considerar mestres uns aos outros.
Somente em Cristo podemos dar fruto (Jo 15:4,5). Isso significa que sem Ele nada podemos fazer.
Somente há um Espírito Santo (1Co 12:11).Isso significa que todos os nossos dons são repartidos por Ele.
Somente o Espírito Santo opera todas as coisas (1Co 12:11).Isso significa que nós não operamos nada.
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SOMENTE A DEUS TODA A GLÓRIA.
ISSO SIGNIFICA QUE NENHUMA GLÓRIA DEVE SER DADA A NÓS.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Somente por Cristo chegamos a Deus (3a parte)

"Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus;" (Hb 9:24)

O que mais deveremos fazer ao confiar que somente por Cristo chegamos a Deus?

3 – Cristo, em Sua obra a nosso favor, terá que ser a base de nossos atos de culto.
Nosso louvor, nossas orações, nossas pregações, nossa leitura da Palavra, em tudo que se faz para adorar a Deus deverá ter como base a obra sacrificial de Cristo a nosso favor.
Não devemos nos aproximar de Deus em nossos próprios termos. Mencionemos sempre no culto que tudo é feito “em nome de Jesus”, pois por causa dEle que pudemos ser aceitos como povo de Deus.
“Ninguém vem ao Pai senão por mim” – não fala apenas da salvação mas também da adoração. Nosso culto não poderia ser prestado sem o sacrifício de Cristo. Nossas orações não merecem ser ouvidas, nosso louvores não merecem ser recebidos, nossas obras a favor de Deus e de Seu Reino, tudo só pode ser ofertado porque a Oferta Perfeita está em Cristo por nós.
Sendo assim, não deve haver culto em que não se mencione a Cruz e a Ressurreição. Ele próprio, o Senhor Jesus, estabeleceu a Ceia para que Sua obra fosse sempre lembrada.
Dentro deste raciocínio, é equivocado cantar louvores, fazer orações e pregações nos termos das cerimônias do Antigo Testamento, tais como templo, altar, Arca, incenso, tabernáculo, sacrifícios, e etc, se não houver uma explicação ou entendimento dessas realidades segundo a obra de Cristo por nós.
Pois todas elas apontavam para O que havia de vir: Cristo; eram sombras das coisas futuras (Cl 2:17), ou seja, eram precursoras das bençãos atuais da salvação em Cristo. Deve-se explicar corretamente como as antigas cerimônias correspondem à nossa vida em Cristo hoje.
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Este é aquele Moisés que disse aos filhos de Israel: O Senhor vosso Deus vos levantará dentre vossos irmãos um profeta como eu; a ele ouvireis. (At 7:37)
Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. (Hb 4:14)
Haverá um justo que domine sobre os homens. (2Sm 23:3)

O que mais deveremos fazer ao confiar que somente por Cristo chegamos a Deus?

4 – Devemos reconhecer Cristo plenamente nos seus ofícios de profeta, sacerdote e rei.

Como nosso Profeta, reconhecemos que Ele é a revelação completa de Deus, não faltando nada para ser revelado, que toda a Escritura existe para falar dEle, que tudo que Ele fez, tudo que Ele ensinou, são a vontade perfeita de Deus para nós. Que Ele é a Luz, a Verdade e a Vida, o Mestre perfeito, que devemos reconhecer Seus mandamentos e ordenanças como justos, retos e verdadeiros, que qualquer dúvida sobre a vontade de Deus para nós se resolve olhando para a vida dEle, colocada como exemplo para que sigamos os Seus passos.

Como nosso Sacerdote, reconhecemos que só por Ele temos perdão dos pecados, que ainda hoje Ele intercede por nós quando pecamos, que Ele é nosso Advogado, Salvador perfeito, nossa proteção, o que nos livra da ira futura, o que nos comprou a salvação eterna e perfeita, nos reconcilia com o Pai, que Ele é o único que apaga as nossas transgressões.

Como nosso Rei, reconhecemos que só Ele governa nossa vida, que Ele deve ter prioridade em nossos pensamentos, que devemos nos submeter à Sua vontade, que Ele está assentado à direita do Pai, reinando, até que os Seus inimigos sejam postos debaixo dos Seus pés. Que não era possível que a morte Lhe segurasse, porque Ele é o Príncipe da Vida, e só dEle dizer "Eu Sou", Seus inimigos caem para trás.
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Ao nome de Jesus se dobre todo o joelho, dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra.
(Fp 2:10).

O que mais deveremos fazer ao confiar que somente por Cristo chegamos a Deus?

5 - Afirmamos que só Cristo é o Senhor da nossa consciência.
Foi Ele quem derramou o Seu sangue, Ele que nos comprou com o Seu sacrifício, somos dEle e de mais ninguém. Só Ele revelou plenamente a vontade de Deus. A Escritura toda existe para falar dEle. Portanto nossa lealdade última é devida somente a Ele. Só Cristo é nosso Senhor.
Desta forma, nenhuma igreja, pastor, líder, declaração doutrinária ou qualquer coisa ou pessoa pode se colocar no meio desta relação pessoal entre Cristo e o crente. Rejeitamos que qualquer instituição ou pessoa que não seja Cristo, tenha o direito de mover a nossa consciência, por ordem ou decreto, para obedecermos à vontade de Deus. Menos ainda que atos como passar por uma cerimônia, participar de um grupo, ser leal a uma instituição ou pessoa, vão mediar nosso contato com Deus.
Assim deve ser questionada, por exemplo, a usurpação da posição de Cristo como único mediador, que alguns líderes cristãos fazem, ao agirem como se a igreja ou os crentes dependessem deles para servir a Deus, ou saber a vontade divina. “Deus dá a visão para o pastor e o pastor dá a visão para a igreja” é uma frase comum, mas profundamente antibíblica. Ela dá poder demais aos homens, sobre a base fraquíssima e instável da experiência interior.
Só Cristo é o Cabeça. E a igreja é Seu corpo. Num corpo, cada membro liga-se diretamente à cabeça, sendo controlado por ela, recebendo ordens diretamente dela. Ou seja, cada crente está ligado diretamente a Deus por meio de Cristo, devendo obediência final somente a Ele, por meio do Espírito Santo, que nos fala na Escritura e move nossa consciência.
O que também justifica o governo congregacional: a igreja é uma aliança de servos de Cristo, que têm, cada um, uma relação direta com o Senhor, não mediada por ninguém além do Espírito Santo. Portanto, seus trabalhos e decisões devem consultar todos os membros, que são, todos eles, reis e sacerdotes (Ap 1:6) e contam, sempre, com a presença do seu Senhor quando se reúnem (Mt 18:20).
Sobre isso a Palavra é clara: cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de TODAS as juntas, segundo a justa operação de CADA parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor Ef 4:15,16.
Ou seja, para que o corpo de Cristo cresça, cada parte, cada membro, cada crente, precisam operar, agir e atuar sobre os outros. No corpo que cresce por igual, todos edificam uns aos outros, aconselham uns aos outros, cuidam uns dos outros, servem uns aos outros e submetem-se uns aos outros.
Pois só Cristo é nosso Senhor.
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E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores.(Ap 19:16)
O que mais deveremos fazer ao confiar que somente por Cristo chegamos a Deus?

6 - Não devemos pregar a nós mesmos, nem as nossas experiências.
Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor (2Co 4:5).
Pregamos a Cristo, e Cristo crucificado. Mas a gente tem falado muito de nós, do que aconteceu conosco.
Porém a nossa história não é o Evangelho. Nossa experiência não salvará ninguém. Nossa história não ligará ninguém a Deus.
O Evangelho é a história de Cristo:
Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado (...) Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras,e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.(1Co 15:1,3,4)
Não que dar testemunho não seja importante, mas que no testemunho fique claro que só Cristo é nossa esperança. A obra passada de Cristo na Cruz, não os nossos exemplos e experiências atuais, é que pode salvar as pessoas.
A nossa esperança do Evangelho não está ancorada na nossa vida interior, está ancorada nos eventos históricos da Cruz e da Ressurreição.
Aquilo que aconteceu em Jerusalém a dois mil anos atrás, não o que acontece hoje na minha vida, é que traz esperança segura de salvação aos outros.


7 - Precisamos rejeitar a atual busca de poder fora de Cristo.

A mais perigosa conseqüência atual de se omitir a centralidade de Cristo é a de deturpar a obra do Espírito Santo, como se Ele fosse independente do sacrifício do Senhor e do Evangelho da Cruz, como se Ele tivesse outra coisa a fazer por nós além de nos conduzir a Cristo.
E esta deturpação tem se manifestado em doutrinas estranhas que esperam do Espírito uma assistência infinita as nossos desejos de experiências dramáticas, fantásticas, milagrosas, sobrenaturais, extremas, emocionais, catárticas, extáticas, que nos exaltem, nos elevem acima dos outros meros mortais, que dispensem a fé no invisível, que substituam a confiança na fidelidade de Deus por experiências emocionalistas de confirmação.
Assim esses evangelhos de poder, que proclamam soluções instantâneas para todos os problemas da vida, de perspectiva de bem-estar inabalável, eterno êxtase experimental, realização de sonhos materialistas, cura de todas as doenças, fim de todas as infelicidades, fim dos sofrimentos e dificuldades, vitória completa e definitiva em todas as áreas, devem ser tratados com a máxima cautela.

Esse estilo de Cristianismo simplesmente não é realista!

Fecha os olhos para a realidade. Transforma a fé numa ilusão pretensiosa. Recusa-se a carregar a cruz, e a identificar-se com Cristo no Seu sofrimento pelo Reino, e suportar a rejeição do mundo. O evangelho de poder nada tem a ver com Aquele que era manso e humilde de coração.
O evangelho de poder avança numericamente pelos meios mais sórdidos possíveis, apelando à ganância, à vaidade e enganando os sofredores e necessitados.
Tem se demonstrado grosseiramente negligente quanto ao ensino da nossa luta contínua pelo arrependimento dos pecados, da confiança no sacrifício e santidade substitutos de Cristo para sermos aceitos por Deus e do mandamento de imitar Cristo em nossa vida, na verdade, totalmente omisso quanto a estas doutrinas básicas do Cristianismo bíblico.
Nunca esqueçamos que o Evangelho bíblico não está sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada.
E isso nunca acontece se distorcemos a real missão do Espírito Santo em nós.
Pois o poder do Espírito Santo não está a serviço da nossa vaidade, curiosidade, desejos, menos ainda das pretensões de sermos admirados e elogiados pelos outros, por meio de uma religião exibicionista, nem na megalomania doentia que tem se manifestado nesses discursos triunfalistas dos evangélicos de hoje.

Sobre o Espírito Santo, Cristo disse que Ele não falará de si mesmo (Jo 16:13). O Espírito veio para falar de Cristo. O Espírito Santo tem um ministério de ‘holofote’ apontando só para Cristo. Ele mesmo aparece pouco. Pois foi Cristo que executou o plano de salvação.
Mesmo o poder do Espírito Santo sobre nós é dado com um propósito específico: nos capacitar a TESTEMUNHAR DE CRISTO – At 1:8 - recebereis poder... e sereis minhas testemunhas.
Assim, o Espírito Santo não está presente onde Ele for a figura central. Ele só está presente onde Jesus for a figura central. Esse é o Seu trabalho: tornar Cristo o centro de tudo.
O poder do Espírito Santo se manifesta na aplicação da Palavra que Cristo deixou - as palavras que eu vos disse são Espírito e vida (Jo 6:63).
O poder do Espírito Santo se manifesta no evangelho que reconcilia o homem com Deus - Não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê – Rm 1:16.
O poder do Espírito Santo se manifesta na conversão e santificação dos pecadores, não na solução dos problemas da vida - o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder... e vós fostes feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo (1Ts 1:5,6).
O Espírito Santo não veio para nos tornar poderosos. Ele veio para nos converter e nos santificar. E isto requer que sejamos cada vez mais enfraquecidos e humilhados, e não que sejamos exaltados com demonstrações de poder. Lembremos que a maior demonstração de poder de Cristo foi entregar a Sua vida pelos nossos pecados.
E a demonstração do Seu poder em nós está em conformar a nossa vida à dEle: vida de renúncia, fraqueza, sacrifício e martírio pelo avanço do Reino de Deus. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo (2Co 12:9).

Portanto, NÃO DEVEMOS PROCLAMAR UM EVANGELHO DE PODER, MAS CONFIAR NO PODER DO EVANGELHO.

Pois só o Evangelho do sacrifício de Cristo pode dar sentido à vida, quando todas as nossas pretensões espirituais forem frustradas e nossos castelos de cartas caírem pela realidade dos nossos fracassos, imperfeições e instabilidades.
Quando os planos que nós, em criativa fantasia, imaginamos para Deus, e divulgamos em alta voz como se fossem revelações dEle, se mostrarem as tolas ilusões que são, o Plano Eterno da Salvação continuará sendo a última e suficiente Palavra verdadeira de Deus.
Quando falhar toda pretensão de poder, nossos projetos forem frustrados, quando a doença tirar a vida, e a falência tirar a prosperidade, a Cruz ainda permanecerá de pé. E quem confiar nela também.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

O desejado 5o passo - A restauração

Se a pessoa se arrepender, ela pode ser recobrada e recebida novamente como membro da igreja.
Em 2Co 2:1-11 Paulo diz que no caso bastou a repreensão feita por muitos, ele exorta a igreja a não exagerar na dose. Ele entrevê que o ofensor já está apto a voltar à comunhão plena.
Devemos sempre procurar recobrar e recuperar essas pessoas. Jesus bem que poderia dizer à igreja. “Será que Eu morri por essas pessoas e vocês não vão cuidar delas?” “Eu derramei Meu sangue e vocês não vão trabalhar por elas?”

Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus.
Porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido.
Que vos parece? Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma delas se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca da que se desgarrou?E, se porventura achá-la, em verdade vos digo que maior prazer tem por aquela do que pelas noventa e nove que se não desgarraram. Assim, também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca. (Mt 18:10-14)

4º PASSO – O NECESSÁRIO AFASTAMENTO

- - -
Não participes dos pecados alheios (1Tm 5:22).

O terceiro passo da disciplina deveria ser suficiente para promover o arrependimento no irmão que vimos pecar, principalmente se a igreja repetir a abordagem várias vezes. Mas é possível que nosso irmão não demonstre nenhum arrependimento pelo pecado, nem reconheça o pecado, nem se disponha a mudar o seu comportamento.
Se o terceiro passo for infrutífero, e o irmão ou irmã não der ouvidos à abordagem prescrita anteriormente, o próximo passo é considerá-lo como não-crente. Mt 18:17 diz: "se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano".

Por quê? Porque nós não sabemos se ele é crente ou não. Um crente deveria ter se arrependido após repetidas exortações. Um crente tem consciência do pecado. Ama a Deus, ama a seus irmãos, ama a igreja. Como não se arrependeria? Se a igreja não estiver sendo injusta, não se concebe um crente deixar de se arrepender. O arrependimento é o requisito mínimo para ser considerado cristão, é a porta de entrada para o Reino. Se não acontece, o estado deste crente deve ser questionado.

A igreja é formada por aqueles que se arrependem dos seus pecados e crêem em Cristo. quem não cumpre estes requisitos não pode ser membro da igreja de Cristo.

A exclusão não é por causa de nenhum pecado, mas por causa da falta de arrependimento.

O que é interrompido? O não crente não tem privilégios na igreja de cargos e opiniões, nem ministérios. Não participa da Ceia. Com o tal nem ainda comais 1Co 5:11. Não se dá muita intimidade a essa pessoa.

O que continua ou reinicia? O não-crente não pode ser considerado membro, mas deve ser visitado, aconselhado, e principalmente, assistir o culto. Ele deve ser re-evangelizado.

O que significa “entregar a Satanás”?
A expressão “entregar a Satanás” aparece em 1Co 5 e 1Tm 1:20. O propósito não é vingança ou condenação, mas simplesmente ensino: ver 1Tm 1:20 – para que aprendam a não blasfemar. E diz que isto vai salvar a alma do adúltero de 1Co 5.
Jó também foi entregue a Satanás, mas isso teve um efeito em Jó e um efeito diferente na esposa de Jó. Jó conhecia Deus de vista, mas passou a ter intimidade com Ele por causa do seu sofrimento.
Pedro foi entregue a Satanás, e nisto foi aumentada a sua fé (Lc 22:31,32).
Paulo mesmo foi entregue a Satanás: 2Co 12:7-10, e isto para que fosse santificado e permanecesse humilde.
Paulo sabia como Deus usa Satanás, é para disciplina e para reforçar a humildade nos crentes, pois quando os crentes são mais fortes quando são fracos.
Satanás é inimigo de Deus? Uma gota pode apagar um incêndio? Uma faísca pode evaporar o oceano? Deus não tem rivais. Até mesmo os ataques de Satanás são usados por Deus para santificação dos Seus filhos. Nosso Deus está no controle. Ponto final.
As vacinas são como doenças induzidas, são vírus atenuados, ou só a capa dos vírus, para que o corpo crie anticorpos. Assim é a exclusão, o expor a pessoa a Satanás, tirar a proteção da igreja, deixar que ela sinta o gosto do mundo, perder a comunhão com Deus. Isso fará com que o crente afastado odeie o pecado.
Se ele for crente certamente voltará horrorizado. Com o tempo terá nojo do estilo de vida mundano. Não aguentará ficar muito tempo fora da comunhão e das bençãos da igreja. O Espírito Santo irá incomodá-lo até não poder mais aguentar.
A exclusão é um remédio amargo para o cristão que se afastou da santidade. Mas cremos na perseverança dos santos. Um cristão confrontado biblicamente haverá de se arrepender. A igreja trata a pessoa como um incrédulo a ser evangelizado. Não deve se afastar da freqüência á igreja. Mas sem comunhão dos privilégios de crente.

A exclusão também revela os incrédulos. Os quais estavam na igreja. É triste. Mas estamos fazendo um favor a essa pessoa, dizendo a ela que não nos parece salva. Isto com o único objetivo que esta chegue a uma verdadeira experiência de conversão e salvação. Não vamos deixá-lo se enganar.

Convoca-se a igreja para que lamente e chore. Em 1Co 5:11 Paulo pergunta: “nem ao menos vos entristecestes?” A igreja deve se auto-analisar para ver se acabou falhando de alguma forma com esse indivíduo. É um processo que rasga nosso coração. Mas se amamos nosso Deus, obedecemos aos Seus mandamentos.

INTENSIFICA-SE o acompanhamento e visitação. Afinal esta é a pessoa que mais precisa.

Até quando? Enquanto há vida, a igreja continua. Deveremos cuidar dele para sempre, até que volte.

3º PASSO – A AJUDA DA IGREJA.

Basta-lhe ao tal esta repreensão feita por muitos (2Co 2:6).

O segundo passo da disciplina deveria ser suficiente para promover o arrependimento no irmão que vimos pecar, principalmente se a comissão de dois ou três repetir a abordagem várias vezes. Mas é possível que nosso irmão não demonstre nenhum arrependimento pelo pecado, nem reconheça o pecado, nem se disponha a mudar o seu comportamento.
Se o segundo passo for infrutífero, e o irmão ou irmã não der ouvidos à abordagem prescrita anteriormente, o próximo passo é convocar a igreja. Mt 18:17 diz: "e, se não as escutar, dize-o à igreja.
Quando é a hora certa de passar de passo, e avançar ao 3o e a outros? Varia muito de caso a caso. Devemos pedir a Deus discernimento e sabedoria para ver quando não há mais progresso no contato e está caracterizado que a parte ofensora não "quer ouvir".
Por quê pedir ajuda à igreja? Porque a igreja é um corpo do qual os dois são membros. A igreja é a comunhão organizada onde os dois são membros. E quando a reconciliação falha tem que ser levada à igreja.
Temos dificuldade em entender isso porque fazemos uma leitura individualista da Bíblia. Mas o pecado de Acã era o pecado de Israel inteiro. O pecado de Adão foi o pecado da humanidade inteira. 1Co 12:26 De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele.
O ofensor deve ter sido avisado desde o começo do processo que isso poderá acontecer, a igreja poderá ter que intervir. Geralmente isto o incentiva a voltar atrás na sua posição.
E é necessário redobrar as orações, agora não só do ofendido, mas dele com as testemunhas junto, para decidir se chegou o momento de levar o caso de levar à igreja.
Em que reunião se deve abordar o assunto? Não temos a prescrição do texto bíblico, mas uma sugestão é que esta seja uma reunião especial, convocada somente para este fim, podendo ser chamada de reunião pastoral.
Quem deve ter acesso a esta reunião? Todos os membros da igreja, devendo-se considerar a inconveniência do acesso de não-crentes e não-membros. É uma reunião pública para igreja, mas fechada para os de fora, pois é para resolver um assunto interno. A não ser no caso de se convidar um crente de fora que seja mais experiente para aconselhar, ou no caso de alguma das testemunhas já ser um crente de fora da igreja.
As assembléias são momentos administrativos, nelas pode não ser conveniente o detalhamento do processo. Talvez o melhor é que na assembléia seja feito apenas o ato burocrático de desligar o membro, se chegar a tanto o processo.
Falar sobre o processo ou executar o terceiro passo no meio de um culto ou de outra reunião que tinha um objetivo diferente é um ato totalmente errado, que deve ser interrompido imediatamente pelo dirigente da reunião, explicando como é o devido processo de disciplina.

Vigiar a tendência à hierarquia. Talvez aqui seja o momento em que mais se terá a tendência de entregar tudo nas mãos de um dos pastores ou de outros líderes. Mas não é esta a orientação bíblica.
Os pastores devem ser consultados, sim, para marcar a reunião pastoral onde acontecerá o terceiro passo. E certamente é importante a presença deles nessa reunião. Se o ofendido não convocou um dos pastores para ser uma das testemunhas (e não há problema nenhum nisso), certamente nesta reunião do terceiro passo os pastores poderão dar seus conselhos sobre o caso.

Quanto maior o problema, maior o acompanhamento. A cada passo que se prossegue, do um ao dois, ao três, etc. aumentam a insistência, a perseverança da igreja e a urgência das conversas. O número de visitas e conversas deve ser proporcional ao passo em que a pessoa está: quanto mais grave, mais visitas e conversas. Pois esta é a pessoa que precisa mais. Quanto mais difícil a situação da pessoa, mais ela deve ser procurada pelos seus irmãos.

Devemos suprimir juízo preliminares. O processo conforme ensinado por Jesus faz com que o peso da questão vá aumentando no coração do ofensor. De forma que a pessoa possa ser recobrada.

O que acontece na conversação do terceiro passo?
Primeiramente, o ofendido volta a falar basicamente o mesmo que falou no primeiro e segundo estágio da disciplina, agora diante dos seus irmãos reunidos.
Em segundo lugar, ofensor naturalmente irá querer falar aos irmãos, e deve fazê-lo.
Em terceiro lugar, as testemunhas confirmam os fatos, confirmam como foi executado o primeiro e segundo passo, relatam a parte delas, como prosseguiu a conversa e o processo. Aqui, elas têm um papel fundamental. É para que toda palavra se estabeleça. As testemunhas devem confirmar que não houve arrependimento por parte do ofensor. É absolutamente necessário que haja CERTEZA dos fatos do caso. Nada pode ser investigado até que haja pelo menos duas testemunhas (Mt 18:16; I Tm 5:19). Geralmente as aparências são enganosas (Jo 7:24) e não podemos agir em disciplina sem que haja fatos concretos sobre os pecados cometidos.
Em quarto lugar, o ofensor poderá falar novamente.
Em quinto lugar, os outros irmãos presentes darão seus conselhos, e a conversa prossegue.
Os pastores da igreja devem mediar esta conversa, garantindo a ordem, decência, respeito e o direito de cada um falar o seu ponto de vista.
Os irmãos em geral (igreja que se reuniu) exercem as mesmas funções que as testemunhas no segundo passo (conselheiros, pacificadores, mediadores, árbitros se forem convocados).
Tudo deve ocorrer envolvido pela oração sincera que busca em Deus a solução para o problema. A igreja que se reuniu com este objetivo deve buscar a sabedoria para encontrar uma solução específica, que pode variar de caso a caso.


ROTEIRO DO 3º PASSO

1 - Que fazemos com o SEGREDO, nesse passo? O segredo deve ser mantido ao máximo. Certamente que o tipo de pecado e outros detalhes não devem ser contados para todas as pessoas de fora e todos os membros que não comparecerem a esta reunião pastoral. Só quando estiverem o ofendido, o ofensor e as testemunhas reunidos com os outros irmãos é que os detalhes devem ser colocados, porque aí é justo para as duas partes.
Às vezes o processo já começa com a igreja sabendo tudo, o pecado já é público e conhecido por todos. Nesse caso, pode-se divulgar também quem são as pessoas que estão tratando do caso, no primeiro e segundo passo, e pedir que a igreja espere que estas a convoquem.
Mas nada impede que mais de um irmão tome a iniciativa de falar em particular com o ofensor (primeiro passo). A princípio, é o que se faz, assim que se sabe de um pecado. De forma natural, os processos serão unificados numa reunião só, quando esta for convocada.

2 – Considerar a possibilidade de manter segredo mesmo para com a igreja. Em geral, pecados secretos devem permanecer secretos. Avalie-se o impacto da divulgação do pecado tratado. Se for assim, não se dará detalhes específicos, apenas se falará de como se desenrolou o primeiro e segundo passo. A divulgação pode acontecer pelo próprio ofensor, ao se defender.

3 - NUNCA se fala mal de um irmão à igreja. Nem agora, nem nunca. Isto é ordem bíblica: Irmãos, não faleis mal uns dos outros (Tg 4:11). Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz (Tg 3:18) .

4 – A intenção do ofendido e das testemunhas é convocar todos os presentes a orar pela pessoa, a lutar por ela, a buscá-la e recuperá-la. Não para acusá-la ou condená-la. Deve-se ter muito cuidado para deixar claro que este é objetivo da reunião: a cura, não a condenação. Não a fofoca. Apenas chamamos a igreja a orar por ele e aconselha-lo. Pecado não é para ser tratado como carniça para urubus, pecado é para ser lamentado, orado e conversado, com sensibilidade, sabedoria, dignidade, amor e sobretudo TRISTEZA.
5 – Os membros presentes a esta reunião devem tomar a iniciativa de confessar seus pecados. A ordem de Jesus, de tirarmos a trave primeiro de nossos olhos para poder tirar o argueiro do irmão, vale também para a igreja. Que fique claro que a disciplina é uma
conversa de pecador para pecador. Deve-se averiguar e pedir perdão ao ofensor pelas falhas da igreja em não ensinar e acompanhar seus membros tão bem como deveria.

6 – Os presentes à reunião devem fazer um apelo de arrependimento ao ofensor. Se for realmente o caso, pois a igreja ainda tem que corrigir eventuais erros das testemunhas. Havendo certeza de pecado não arrependido, todo o esforço de argumentação mansa, paciente e amorosa deve ser feito nesta reunião.
A igreja deve insistir com esta pessoa de uma forma intensa, e chegar ao ponto de IMPLORAR que ela se arrependa, para que o afastamento não se torne necessário. Este procedimento geralmente atrai o pecador ao arrependimento. Devemos ter o mesmo sentimento de amor que Paulo teve: não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós (At 20:31).

7 - A igreja não deve criar leis. A igreja não foi chamada para criar novas regras de conduta. A lei não pode salvar. Pela lei apenas vem o conhecimento do pecado. A lei de Deus já é alta demais, não a aumentemos. É um equívoco muito comum.
A disciplina deve ser aplicada caso a caso, a vontade de Deus deve ser discernida em cada situação particular.

8 – Pode haver casos em que uma correção pública e imediata é necessária, pulando os dois passos anteriores. Especialmente quando o coração do Evangelho é atacado por comportamento ou doutrina herética. Exemplos bíblicos: Gl 2:11-14; Tt 1:10,11.

9 – Até quando? Enquanto há esperança de arrependimento, a igreja continua. Vários irmãos devem conversar com a pessoa várias vezes, e orar muitas vezes. E de novo, e de novo. E continuar tentando convencer a pessoa a se arrepender. Até quando? Até que ele não os ouça. isto é, que diga: “não fale mais disso comigo”. Até que o irmão não os permita mais. O que os levará ao quarto passo da disciplina.

2º PASSO – A AJUDA DE UM OU DOIS IRMÃOS

Por boca de duas ou três testemunhas será confirmada toda a palavra. (2Co 13:1b)

O primeiro passo da disciplina deveria ser suficiente para promover o arrependimento no irmão que vimos pecar, principalmente se repetirmos a abordagem várias vezes. Mas é possível que nosso irmão não demonstre nenhum arrependimento pelo pecado, nem reconheça o pecado, nem se disponha a mudar o seu comportamento.
Se o primeiro passo for infrutífero, e o irmão ou irmã não der ouvidos à abordagem prescrita anteriormente, o próximo passo é chamar uma ou duas testemunhas. Mt 18:16 diz: "Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça".

Por quê pedir ajuda? Para dar maior discernimento a quem está exortando. Ele precisa se certificar que não está fazendo tempestade em copo d´água. Ele precisa do conselho e da perspectiva de outras pessoas. Que o ajudem a entender a situação, a confirmar os fatos e procedimento abordado. Podem ajudar a discernir se houve ou não arrependimento genuíno.
Quando é a hora certa de passar do passo 1 ao passo 2? Varia muito de caso a caso. Devemos pedir a Deus discernimento e sabedoria para ver quando não há mais progresso no contato individual e está caracterizado que a parte ofensora não "quer ouvir".
O que acontece na conversação do segundo passo? Primeiramente, o ofendido volta a falar basicamente o mesmo que falou no primeiro estágio da disciplina, agora diante da(s) testemunha(s). Em segundo lugar, ofensor naturalmente irá querer falar à(s) testemunha(s), e deve fazê-lo. Em terceiro lugar, as testemunhas darão seus conselhos, e a conversa prossegue. Tudo deve ocorrer envolvido pela oração sincera que busca em Deus a solução para o problema.



ROTEIRO DO 2º PASSO
1 – No segundo passo, o SEGREDO do processo deve ser mantido. Nesta hora não é para sair contando para as testemunhas que você chamar qual o pecado e os detalhes do problema, é para chamá-los para serem testemunhas da conversa, os detalhes serão conhecidos SOMENTE SE ELES PARTICIPAREM DA CONVERSA. Só quando estiverem o ofendido, o ofensor e as testemunhas reunidas entre si é que os detalhes devem ser colocados, porque aí é justo para as duas partes.
Todo o processo se dará em conversas particulares (sem a audição de terceiros), inclusive o convite para alguém ser testemunha.

2 – Observe o número de pessoas a serem chamadas para ajudar: UMA, ou no máximo DUAS (Mt 15:16). As duas ou três desse versículo se refere à soma das testemunhas com o ofendido. Não se deve envolver um número maior de pessoas.

3 – Recomendações na hora de chamar a(s) pessoa(s) que vai ajudar no processo:
a) Chame obrigatoriamente:
- Crentes sábios, confiáveis e discretos que sejam capazes de manter segredo sobre o assunto.
- Crentes maduros, respeitados e reconhecidos como pessoas espirituais por vocês dois. Pessoas que já têm a capacidade para lidar com esse tipo de problema.
- Crentes IMPARCIAIS, e isso é essencial.
b) Chame preferencialmente:
- Membros da mesma igreja dos litigantes.
- Crentes com mais tempo de vida cristã que você e o ofensor.
- Crentes que trabalham num ministério pastoral ou de aconselhamento.

4 – As funções da(s) testemunha(s):
a) Avaliar se o primeiro passo da disciplina foi executado corretamente.
b) Avaliarem se realmente há pecado, da parte de quem, e se tem havido arrependimento do pecado.
c) Ouvir com consideração as alegações do ofensor.
d) Atuarem como pacificadores, se for um caso de ofensa pessoal. Serem moderadores da conversa, reparar as atitudes erradas de ambos.
e) Garantir o clima de cortesia, respeito e, principalmente, oração.
f) Aconselhar o procedimento a seguir, de acordo com a situação. NÃO IMPOR UMA SOLUÇÃO ESPECÍFICA, mas compartilhar princípios bíblicos. A não ser no caso em que o ofensor e o ofendido concordam em dar a eles a autoridade para dizer a eles o que fazer no caso. Se eles delegarem esta autoridade para as testemunhas, estas poderão arbitrar, e sua recomendação deverá ser seguida.

5 - O pronunciamento das testemunhas: Após ouvirem aos dois, as testemunhas participam do encaminhamento do processo de disciplina, da exortação, do aconselhamento, Não são testemunhas silentes. Mt 18:17 fala do "depoimento" delas, que também pode ser ouvido ou não pelo ofensor.
Sendo o caso, devem as testemunhas promover o arrependimento com argumentação mansa e amorosa, até mesmo com seus próprios reconhecimentos de pecado.
6 – Mudança possível de rumo. Pode acontecer que as testemunhas, uma vez ouvindo a explicação do ofensor, não concordem inteiramente com todas as alegações do ofendido. Neste caso as testemunhas devem aconselhar aos dois o procedimento a seguir, segundo cada situação específica.
7 – Reconhecendo-se o pecado, convida-se ao arrependimento. Se as testemunhas entendem que permanece o pecado, devem recomendar ao ofensor o arrependimento do pecado e a fé em Cristo para perdão dos pecados. Todos, incluindo o ofensor, devem recorrer à Bíblia para o esclarecimento da situação.
Tanto agora, como no primeiro passo, havendo arrependimento e confissão, deve-se exaltar o Senhor Jesus como o Salvador que nos providencia o perdão dos pecados. Assegurar ao ofensor que não há mancha que o sangue de Jesus não possa lavar. Convidá-lo a confiar plenamente na sua salvação.
Avaliando a disposição do ofensor em se arrepender ou não, em mudar ou não, a comissão formada pelas testemunhas e pelo ofendido devem também avisá-lo dos próximos passos da disciplina, que poderão ser tomados caso não haja mudança.
8 – Até quando? Enquanto há esperança de arrependimento, você e as testemunhas continuam. A comissão recém formada para tratar do problema deve conversar com a pessoa várias vezes, e orar várias vezes. E de novo, e de novo. E continuar tentando convencer a pessoa a se arrepender. Até quando? Até que ele não os ouça. isto é, que diga: “não fale mais disso comigo”. Até que o irmão não os permita mais. O que os levará ao terceiro passo da disciplina.

1º PASSO – AJUDANDO EM PARTICULAR

Não deixarás de repreender o teu próximo, e nele não sofrerás pecado (Lv 19:17).
Não existe crente solitário. A vida da igreja é comunitária. Os crentes vivem juntos. É necessário e essencial que mostremos uns aos outros quando estamos errando.
a) Porque muitas vezes não percebemos o pecado que cometemos;
b) Para desfazer mal-entendidos;
c) Para não deixar o indivíduo sozinho para descobrir a vontade de Deus. Na igreja ajudamos uns aos outros neste discernimento.

Mas antes de abordar alguém devemos ter em mente o seguinte:

1 - Não devemos disciplinar por falsas culpas.
Culpas falsas são aquelas que as pessoas colocam sobre nós, ou que são usadas para manipular as pessoas, ou para livrar alguém de suas próprias responsabilidades, ou ainda repassando culpas que a própria pessoa sente, ou disfarçar os verdadeiros motivos, nem sempre de forma consciente. Por ex.: “Já vai? Mas acabou de chegar! Ah... Não é justo você ir embora tão cedo!!!” (manipulação para constranger a pessoa a ficar).
Culpas verdadeiras são as culpas que temos por desobedecer à vontade de Deus. Ex. quando mentimos, roubamos, não cumprimos nossos compromissos, ou quando fazemos qualquer mal proibido na Palavra.
Examinemos cuidadosamente nossa questão, nos colocando no lugar do outro, afim de saber se realmente estamos falando de um pecado contra Deus, ou se apenas estamos julgando injustamente a pessoa, nos deixando levar pela emoção.

2 - Não disciplinemos em questões simples, superficiais ou indiferentes. O amor cobre uma multidão de pecados (1Pe 4:8). Há certas coisas que podemos deixar passar. Talvez não vá valer a pena falar com a pessoa, e a oração secreta a Deus será sempre a melhor oportunidade de colocar todos os defeitos e erros do nosso próximo.
Quanto a coisas que são duvidosas se são pecado ou não, menos ainda deveríamos incomodar os outros. São questões indiferentes, onde cabe a cada um estar seguro de sua posição (Rm 14:5).
Só devemos abordar o irmão por aquilo que for claramente e inegavelmente pecaminoso.


ROTEIRO PASSO-A-PASSO

1 – A disciplina é requerida quando a consciência é ofendida. Devia a própria pessoa corrigir-se do seus pecados, mas se não parece ser assim, e você está cônscio do pecado de alguém, esta consciência é o chamado para ajudarmos nosso irmão, nem que seja apenas pela oração. Mas devemos considerar nesse momento, em oração diante de Deus, a decisão de ir ao encontro de nosso irmão para o bem dele. Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão (Gl 6:1).

2 – Ainda que seja você o ofendido, deve procurar o irmão para reconciliação. Se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só (Mt 18:15). Certamente que o outro irmão também deveria lhe procurar, segundo Mt 5:23; no caso ideal, ambos vão se encontrar no meio do caminho.

3 - Seja amistosos, mansos, humildes em todo falar e proceder. (Gl 6:1).

4 - Renunciemos ao espírito de julgamento. Não julgueis para que não sejais julgados. Porque com a medida que julgardes sereis julgados (Mt 7:1,2). Como já dissemos, nossa posição é de médico, não de juiz.
Devemos avaliar com cuidado e abordar motivados pelo amor que se preocupa, lembrando que estamos todos no banco de réus. Que fique claro desde o início que a disciplina cristã é uma conversa de pecador para pecador.


5 – Devemos, antes de falar do pecado do irmão, começar confessando nossos próprios pecados. Por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu?Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão (Mt 7:3-5).
Se o objetivo da disciplina é conduzir nosso irmão ao arrependimento, certamente devemos fazer isso dando exemplo em nós mesmos. A confissão verbal de uma falta específica e concreta durante a conversa vai criar o ambiente propício ao arrependimento. Será a prova de que estamos indo ao encontro desarmados. É a atitude coerente para quem quer sinceramente o bem do seu irmão. E, Deus querendo, poderá ser um incentivo para a confissão do irmão a quem abordamos.

6 - Conciliação – Se ele te ouvir, ganhaste teu irmão. Ter sempre em mente que o objetivo da conversa é reconciliação, contigo, com o próximo e com Deus. Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos (Zc 4:6).

7 - Não é para falar apenas uma única vez. Enquanto há esperança de arrependimento, você continua. Significa que devemos fazer isso várias vezes, e orar várias vezes. E de novo, e de novo. E continuar tentando falar com a pessoa. Até quando? ATÉ QUE ELE NÃO NOS OUÇA. Isto é, que diga: “não fale mais disso comigo”. ATÉ QUE O IRMÃO NÃO NOS PERMITA MAIS.
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