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sábado, 3 de janeiro de 2015

Peço-te por Onésimo, torna a recebê-lo – Comentário de Filemom


Fm 1:1-2 – Ao amado Filemom, nosso cooperador. Esta carta deve ter sido escrita junto com as cartas aos Efésios e aos Colossenses, quando Paulo estava preso em Roma (At 28). Filemom mora em Colossos, e tendo a igreja funcionando em sua casa (Fm 1:2), provavelmente era um dos pastores dela. Outros dois pastores dos colossenses são mencionados: Epafras, que estava preso junto com Paulo (Fm 1:23; Cl 1:7,8; 4:12,13), e Arquipo, que parece ser filho de Filemom, sendo Áfia sua mãe (Fm 1:2; Cl 4:17).
O objetivo da carta é pedir a Filemon que receba de volta Onésimo, um escravo seu que fugiu (Fm 1:15,16), talvez até roubando algum valor (Fm 1:18). Paulo deve ter encontrado Onésimo em uma das suas prisões, lhe pregado o evangelho, e tido a felicidade de o ver convertido por Deus (Fm 1:10). Então, de Roma, lhe envia o ex-escravo, agora irmão em Cristo, pedindo a Filemom que o receba dessa forma, perdoando tudo que ele fez e abrindo mão da sua servidão. Onésimo, junto com Tíquico, chega assim enviado por Paulo à cidade de Colossos portando também a carta aos Colossenses, para que seja divulgada nas igrejas (Cl 4:9,16). Um sempre foi cooperador, o outro está começando a cooperar, a carta pede que cooperem entre si.

Fm 1:3 - Graça a vós e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Seja senhor ou servo, todo ser humano depende e necessita da Graça e da Paz de Deus. Estando estas sobre ambos, mais provável ainda será a reconciliação. Pessoas com maior consciência da Graça de Deus são mais generosas, como se diz da igreja de Jerusalém em At 4:33, em todos havia abundante graça, por isso que ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria (At 4:32). Assim o poder para executarmos boas obras depende do nosso coração ser dominado pela Graça de Deus, por isso que diz: Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo (2Pe 3:18)
 
Fm 1:4-7 - Ouvindo do teu amor e da fé que tens para com o Senhor Jesus Cristo, e para com todos os santos; As virtudes cristãs de Filemom são aqui salientadas, resumidas em amor e fé para com Cristo e para com os santos. A prática do amor traz alegria a todos que o recebem, a fé complementa essa alegria, fazendo-os conhecer todo o bem que por meio de Cristo lhes é concedido. O amor é a ajuda ao irmão para completar sua caminhada, a fé é a afirmação confiante dos bens que o aguardam. O amor sem fé, é somente beneficência, a fé sem amor é somente crença. Por isso ele pede a Deus: paz seja com os irmãos, e amor com fé da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo (Ef 6:23), pois o amor acompanhado da fé é que se constitui sinal de santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor (Hb 12:14).

Fm 1:8-10 - Todavia peço-te antes por amor... por meu filho Onésimo. O antigo escravo se aproxima da sua cidade e da casa onde trabalhava. Como será recebido? Com o rigor da justiça que pede reparação? Ou com a brandura própria para quem se tornou, por Cristo, membro de nossa família maior, a igreja? Paulo pede o perdão para ele. Tal como Cristo intercede por nós diante do Pai, ele intercede pela aceitação de seu irmão. Os cristãos são ordenados a serem misericordiosos, ainda mais com seus irmãos na fé, suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. (Cl 3:13).
Um dos motivos para isso é por reconhecimento ao perdão que Deus já lhes deu, por seus próprios pecados. Porque o Reino de Deus é como um certo rei que quis fazer contas com os seus servos (Mt 18:23): um servo lhe devia muito dinheiro, mas o rei o perdoou. Porém um colega deste servo lhe devia uma pequena quantidade, mas o servo não quis lhe perdoar. Por isso rei lhe disse: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti (Mt 18:34)? Desta forma, a dívida que nosso irmão possa ter conosco em todo caso será sempre muito menor que a nossa dívida que tínhamos com Deus. Uma vez que Deus nos perdoou todos os nossos pecados por causa de Cristo, também devemos perdoar os pecados de nossos irmãos. Ainda mais se considerarmos que, por serem irmãos, devemos crer que Cristo morreu por eles também. Se a morte de Cristo foi suficiente para o Pai lhes perdoar os pecados, deve ser suficiente para nós perdoarmos também. Assim não existem dívidas entre irmãos, pois Cristo pagou por tudo.
 
Fm 1:11-14 - O qual noutro tempo te foi inútil, mas agora a ti e a mim muito útil; eu to tornei a enviar. E tu torna a recebê-lo como às minhas entranhas. A atitude de Paulo nos dá exemplo de conciliação, de fazer com que dois irmãos se reconciliem. Sabendo que há dois irmãos em desavença, o crente fiel jamais irá pioras as coisas, colocando lenha na fogueira. Antes com espírito de mansidão, tentará encaminhar os dois no caminho da paz. Um conciliador procura, na medida do possível, afirmar o bem que há nas pessoas: “agora ele é muito útil a mim e a ti”. Condenar os defeitos e falhas do outro em nada colabora para a pacificação. Também pode ser necessário dar uma demonstração de confiança na pessoa que estamos querendo aproximar. Paulo diz: “recebe-o como se fosse eu”, colocando a sua boa fama para cobrir diante de Filemom a má fama de Onésimo. Todo que trabalhar desta forma pela reaproximação dos irmãos que divergem, terá sobre si esta bênção: bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus (Mt 5:9).
 
Fm 1:15-17 - Porque bem pode ser que ele se tenha separado de ti por algum tempo, para que o retivesses para sempre, não já como servo, antes, mais do que servo, como irmão amado. A providência de Deus, o Seu controle sobre todas as coisas, sempre atua de forma misteriosa. José, enquanto estava sendo levado escravo para o Egito, não imaginava que por esse meio salvaria a vida de sua família. Rute, enquanto procurava campo para catar espigas, não imaginava que estava justamente naquele que pertencia a quem poderia remí-la. Da mesma forma, ninguém imaginaria que na fuga de Onésimo é que ele encontraria a Cristo por meio de Paulo, conhecido de Filemom, e que Onésimo, convertido, voltaria para Filemom por meio da recomendação do mesmo Paulo. Mesmo nas horas que para nós são as mais escuras, o plano de Deus para nossa vida está se cumprindo, cabendo a nós confiar, mesmo sem entender plenamente, que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito (Rm 8:28).
 
Fm 1:18-19 - E, se te fez algum dano, ou te deve alguma coisa, põe isso à minha conta. Eu, Paulo... o pagarei, para te não dizer que ainda mesmo a ti próprio a mim te deves. Filemon se deve a Paulo, porque Paulo foi quem pregou o evangelho a ele, na ocasião em que Deus o converteu. Como “pai na fé” de Filemon e de Onésimo, Paulo trabalha pela reaproximação dos seus dois “filhos”, não só por palavra, mas por obra e em verdade (1Jo 3:18), garantindo estar disposto a pagar do próprio bolso pela restituição financeira, se Filemon a cobrasse. Cristo também pagou por uma dívida que não tinha feito, afim de estabelecer a paz entre Deus e o Seu povo. Paulo assim imita o exemplo de Cristo, de pagar pelo que não fez, afim de reconciliar os irmãos. Com isso demonstra quão importante era a reconciliação dos dois para ele, nos fazendo perguntar o quanto a promoção da reconciliação vale também para nós.

Fm 1:20-21 - Sim, irmão, eu me regozijarei de ti no Senhor. Antes Paulo tinha dito: por ti, ó irmão, as entranhas dos santos foram recreadas (Fm 1:7). Agora diz recreia as minhas entranhas no Senhor. O amor que Filemom demonstrava com boas obras já tinha dado muitas alegrias aos crentes, então Paulo afirma a doce esperança que ele também seja alegrado quando Filemom lhe fizer o que está sendo pedido. O promotor da reconciliação buscará manifestar o que há de melhor nas pessoas. O potencial para o bem já está no crente, pelo Espírito Santo que nele habita, porém para que seja posto em prática, na maioria das vezes precisamos de um estímulo dos nossos irmãos. Por isso consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras (Hb 10:24).
 
Fm 1:22-25 - Espero que pelas vossas orações vos hei de ser concedido. A futura visita que Paulo desejava fazer a Filemom e aos colossenses depende totalmente da vontade de Deus. Afinal, Paulo está preso pelas algemas dos homens, não pode ir aonde quer. Mas todos os homens, inclusive os que prendem Paulo agora, estão presos pela vontade decretiva de Deus, não poderão deixar de fazer algo se Deus assim quiser que aconteça. Mesmo que Paulo não estivesse na cadeia, ele ainda teria que dizer: “se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo” (Tg 4:15). Portanto, ele estimula a Filemon e à igreja que fale sobre essa visita com Aquele que tem toda a autoridade para mover os céus e a terra pelo bem do Seu povo, pois a palavra final é dEle. Se pedimos ajuda aos homens, todos eles terão alguma limitação no que poderão fazer por nós. Mas se pedirmos ajuda a Deus, basta que Ele nos conceda, e não haverá nada que não poderá ser feito.

Renunciando à impiedade – Comentário de Tito 2:11-3:15



Tt 2:11 - A graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens. Deus manifesta a Sua Graça colocando a porta da salvação aberta diante de todos os homens, proclamando que há salvação em Cristo, convidando-os a entrar no Seu Reino. O Reino de Deus está próximo (Mc 1:15), pregava o Senhor, e próximo não só temporalmente mas espacialmente próximo, está ao lado do ouvinte, está perto, diante dele, a oportunidade está sendo oferecida, a salvação está sendo trazida perante ele, para que ele se arrependa, creia no Salvador, e assim seja salvo, entrando no Reino. O trabalho do evangelismo é o de manifestar, proclamar a todos os homens esta Graça de Deus, a salvação, proclamando-a a todos os homens. Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome; anunciai a sua salvação de dia em dia. Anunciai entre as nações a sua glória; entre todos os povos as suas maravilhas (Sl 96:2,3).

Tt 2:12 – Renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas. Na nova vida do convertido ele é chamado à renúncia de tudo aquilo que pode fazê-lo pecar, a impiedade – maldade, corrupção e pecado que reside no coração, inclinando-o às praticas malignas; e as concupiscências mundanas – quaisquer desejos desordenados, descontrolados, viciosos, que nos dominem a ponto de ignorarmos as regras de Deus para satisfazê-los. Tudo isso deve ser reprimido e rejeitado conscientemente pelo convertido. Se necessário, até cortando o olho direito ou a mão direita (Mt 5:29,30), ou seja, abrindo mão de coisas que possa ser importantes para nós, como um emprego, uma amizade, um hábito, um lazer, se isso nos induz ao pecado. Assim vivamos neste presente século sóbria – com moderação, discrição, respeito, seriedade; justa com honestidade, equidade, dignidade, integridade; e piamente – com fé, oração, dependência de Deus, buscando e praticando a Sua vontade.

Tt 2:13 - Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo. Um dos remédios prescritos para nos ajudar a não pecar é gastar tempo meditando na glória de Cristo, que é o grande Deus e nosso Salvador, glória essa que será revelada ao mundo todo na ocasião da Sua volta, o que é a nossa bem-aventurada esperança, que aguardamos, de encontrá-Lo e viver para sempre em comunhão com Ele, já sem qualquer pecado ou inclinação para o mal em nós, incorruptíveis, em eterna e contínua felicidade, em eternos e contínuos louvores à Majestade de Cristo. Certamente enquanto o crente estiver meditando nessas coisas, não terá tanta disposição para pecar.

Tt 2:14 - O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras. A iniquidade que permanece à espreita em nosso coração, aguardando uma oportunidade para nos fazer pecar, essa iniquidade custou um preço caro ao Nosso Senhor, de ter que dar a vida por nós, a fim de sermos redimidos dela. Só o sangue de Cristo pôde pagar o preço dos nossos pecados. Assim, por honra a Cristo e por gratidão ao Seu sacrifício na Cruz, empenhemos todo o esforço para prosseguir na nossa purificação, sem relaxar na vida cristã, renunciando ativamente e combatendo a toda a nossa iniquidade, considerando a intenção dEle de criar um povo especial, que pertença somente a Ele, uma vez que desejamos ser confirmados como pertencentes a esse bendito povo.

Tt 2:15 - Fala disto, e exorta e repreende com toda a autoridade. Ninguém te despreze. Nem sempre o ministro pode ser totalmente brando, pois não pode ser conivente com o erro. Se alguém quiser permanecer no pecado e desprezar o ensino do pregador, este precisará repreendê-lo. Se estivermos na posição de ouvir a repreensão de um servo de Deus, que não o rejeitemos. Porque Deus consolou a Samuel da seguinte forma: não te têm rejeitado a ti, antes a Mim me têm rejeitado (1Sm 8:7). Da mesma forma, se o pregador foi enviado por Deus, rejeitar a sua pregação é rejeitar Aquele que o enviou (Lc 10:16).
 
Tt 3:1 - Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam. Cristo é nosso Senhor, mas isso não contradiz o fato que Ele mesmo nos ordena reconhecer as autoridades que há no mundo, pois não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus (Rm 13:1,2). Desde que elas não nos mandem desobedecer à Palavra, caso em que mais importa obedecer a Deus que aos homens (At 5:29; 4:19), em todas as outras coisas lhes devemos toda a obediência e honra devidas.
 
Tt 3:2-3 - Que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas modestos, mostrando toda a mansidão para com todos os homens. O quanto for possível, e o quanto estiver em nós, devemos ter paz com todos os homens (Rm 12:18). Mas isso significa que, em primeiro lugar, devemos parar de fazer as coisas que provocam as pessoas contra nós, ou seja, não infamar, não falar mal de ninguém, não divulgar boatos, não espalhar notícias sobre os erros dos outros, não sermos contenciosos, nem briguentos, nem birrentos, nem reclamadores, nem murmuradores contra tudo que as pessoas fazem. Mas sim sermos modestos, humildes, sem a pretensão de corrigir a tudo e a todos, sem ares de superioridade moral, sem rebaixar as pessoas; mostrando toda a mansidão, suportando os defeitos e falhas do próximo, perdoando-os sem revidar. Assim poderemos começar a obedecer a este mandamento, abandonando as nossas práticas antigas de insensatez, malícia, inveja e ódio, que não devem mais fazer parte da vida do convertido.

Tt 3:4-8 - Nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo. Sem que nós merecêssemos ou sequer que tivéssemos nos preparado para isto, a Graça de Deus veio sobre nós, unicamente segundo a Sua misericórdia demonstrada em Jesus Cristo nosso Salvador, por meio do Qual o Espírito Santo operou em nossos corações o novo nascimento, a regeneração e renovação de todo nosso ser, mudando a direção e as inclinações do nosso coração, segundo a eficácia e poder da Palavra que nos impactou na ocasião da nossa conversão. Toda a obra de Deus em nós começa aqui. Se não tiver acontecido a regeneração, jamais será eficaz a santificação. No máximo uma religiosidade e moralidade externas, forçadas, artificiais é o que teremos. Mas o verdadeiro salvo, o que nasceu de novo, esse percebe que a força e a inclinação para a santidade vem de dentro de seu coração, onde o Espírito Santo, o seu Divino Santificador, habita. E esta força, por trabalhar para o cumprimento do desígnio divino para os Seus salvos, há de ser eficaz. Por meio de muitas lutas, um dia o pecado será extinto de nossas vidas. Antes mesmo disso, o veremos subjugado pelo prevalecimento da santidade em todas as áreas. Aquele que nasceu de novo lutará contra o pecado, e vencerá. Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo (Fp 1:6).

Tt 3:9-11 - Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o. Há pessoas que além de não querer emendar-se, ainda espalham falsas doutrinas aos outros, o tipo de erro que traz traz divisões e contendas para a igreja. Devemos administrar com sabedoria nosso tempo e esforços, pois enquanto alguns continuarão resistindo, por mais que se tente convencê-los, outros estão ávidos para ouvir, mas não têm oportunidade, uma vez que estamos gastando todo o nosso tempo com os que estão endurecidos. Assim é necessário discernir quando abandonar uma discussão que nada de edificante vai trazer. Aqueles que resistem à verdade da Palavra colherão o fruto da sua incredulidade. Uma vez que tivermos feito nosso dever, passemos a pregar para outros que queiram ouvir, para que não fiquemos jogando pérolas aos porcos, que só vão pisar as pérolas e ainda se voltar contra nós (Mt 7:6).

Tt 3:12-14 - E os nossos aprendam também a aplicar-se às boas obras, nas coisas necessárias, para que não sejam infrutuosos. Paulo repete esse tema mais cinco vezes nesta carta, dizendo que Cristo se deu por nós para que sejamos um povo zeloso de boas obras (Tt 2:14), que os que crêem em Deus devem se aplicar às boas obras (Tt 3:8), que não devemos ser reprovados para toda boa obra (Tt 1:16), que estejamos preparados para toda boa obra (Tt 3:1), e que Tito mesmo tinha que dar exemplo de boas obras (Tt 2:7). Tal ênfase chama a nossa atenção para a exortação de Tiago: assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma (Tg 2:17), a qual concorda com Paulo.
As boas obras são o fruto da salvação, a evidência de que a conversão de fato aconteceu. Deus não salva ninguém para que fique parado ou omisso, Ele nos chama para trabalhar pelo Seu Reino neste mundo. Isso inclui fazermos todo o esforço possível para obedecermos a todos os mandamentos que conhecemos, o não deixar de fazer o bem sempre que tivermos oportunidade, sermos zelosos, para darmos fruto, em todas as coisas necessárias - todas as tarefas e responsabilidades que recebemos, seja no ministério da igreja, seja em nossas vocações no mundo, na sociedade, no trabalho e na família.

 Tt 3:15 - A graça seja com vós todos. Amém. A Graça é o resumo de todo o bem que Deus nos dá, sem ela nada poderíamos ser tampouco fazer, foi pela Graça que tivemos acesso a essa salvação em Cristo, e pela Graça é que o Espírito Santo nos capacita a viver de forma a honrar a mesma salvação. Portanto, quem lê diga: “amém” – assim seja – que a Graça de Deus esteja sobre todos nós.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Por que só se pode ter relações sexuais dentro de um casamento?


Porque Deus assim ordenou, na Bíblia.
Em primeiro lugar, Deus disse que Ele é o dono do nosso corpo.

Pois o que está debaixo de todos os céus é Meu. (Jó 41:11)

Ele é o Dono de tudo que existe, então Ele é o dono do nosso corpo.
Assim, não podemos fazer o que quisermos com nossos corpos, temos que perguntar a Deus o que Ele permite que façamos.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Pregues a Palavra - Comentário de 2Tm 3-4



2Tm 3:1-5 – Sobrevirão tempos trabalhosos. Nos últimos dias – desde que Cristo ressuscitou, e até Ele voltar – a igreja conviverá com o pecado, e isso dará trabalho aos crentes. Os homens serão amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus. Mas a pior parte é que terão a aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Isso quer dizer que está falando de pessoas que serão tudo isso, mas com costumes religiosos, serão membros de igreja ativos, porém não-convertidos. Eles têm a aparência, frequentam, oram, cantam, trabalham, mas o coração está longe de Deus, se inclinando somente para as coisas da carne. Na verdade, se comportam como ímpios, ou seja, não têm o poder da piedade, não têm eficácia da santificação em sua vida, portanto, não foram salvos ainda. Por isso, ao invés de trabalharem pela igreja, só darão trabalho para a igreja.

2Tm 3:5 - Destes afasta-te. O conselho de Paulo é simples e duro, mas se eles resistem à verdade, o que nos resta fazer? Eles estão fechados ao Espírito Santo em um coração duro, é mais fácil influenciarem os outros para o mal do que alguém lhes influenciar para o bem. Só o poder de Deus pode salvá-los. Enquanto já fizemos o que nos cabia - lhes pregar a palavra - devemos manter alguma distância, para não acabar participando dos seus pecados (1Tm 5:22), pois a única coisa que eles têm para nos ensinar é a hipocrisia religiosa. Não pensemos que podemos estar em comunhão com estas pessoas, rindo com elas, compartilhando tempo e vida, e não sermos influenciados negativamente, ao trabalhar junto a elas. O pecado se espalha mais rápido que a santidade. O doença é contagiosa, mas a saúde não é contagiosa. A transmissão da santidade é difícil e exige muito esforço. Mas a transmissão do pecado é automática, basta que paremos de vigiar. Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes (1Co 15:33). Procuremos a companhia dos que, com um coração puro, invocam o Senhor (2Tm 2:22).

2Tm 3:6-9 – Não irão, porém, avante. O falso convertido não tem a realidade da fé, mas apenas uma imitação. Ele simula experimentar, viver e praticar as coisas que os verdadeiros crentes praticam, mas o faz para disputar com os outros e enaltecer a si mesmo. Tal como os magos do Faraó, eles podem conseguir enganar por algum tempo, mas não para sempre. Eles podem imitar um pouco a realidade e as obras da fé, mas não são capazes de perseverar em todas as áreas. Esses homens maus e enganadores, que resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé, irão de mal para pior, enganando e sendo enganados (1Tm 3:13). Eles se associarão a outros falsos convertidos, e prejudicarão uns aos outros. Assim terminará a sua simulação de religiosidade. Tocaram na arca de Deus, brincaram com as coisas santas, Deus não deixa isso impune.

2Tm 3:10-13 - Todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições – Paulo explica a Timóteo que a vida do povo de Deus não será um mar de rosas. Não será só felicidade, mas será sofrimento, e perseguição e injustiças. E mais, que Timóteo deve esperar a perseguição como um fato normal na vida do verdadeiro crente. A luz incomoda as trevas, de maneira que quanto mais forte brilhar a luz de Cristo em alguém, mais contrariados ficarão os ímpios até o ponto de perseguir os servos de Deus. Mas o Senhor já nos tinha avisado isso desde o começo: se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me (Lc 9:23), quer dizer, leve coMigo a vergonha e o estigma do Evangelho, e Me siga, suportando a rejeição do mundo. Ao mesmo tempo, o Senhor nos garantiu que são abençoados os que por isso passarem: Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós (Mt 5:10-12).

2Tm 3:14-17 - Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa... para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra. Diante do quadro de falsa religião acima, Paulo continua apontando para a única uma solucão – a Palavra de Deus, que está à nossa disposição por meio da Escritura Sagrada. É o livro santo, a coleção de tudo que Deus verdadeiramente falou, que pode tornar os homens sábios para a salvação, é por essa Palavra que Deus nos dá o novo nascimento (1Pe 1:23). Foi assim na vida de Timóteo, o conhecer da Bíblia é que o preparou para ser salvo e agora ser instrumento de Deus para a salvação dos outros.
A Bíblia também capacita a qualquer crente para toda a boa obra, porque ela nos instrui acerca de todas as àreas da vida. Dela obtemos o fundamento correto para exercer qualquer atividade da maneira certa, que seja boa aos olhos do Senhor, uma vez que seu conteúdo é totalmente a verdade (Jo 17:17). Todo o que se basear nela, seja para ministério, seja para trabalho, seja para vida comum na sociedade, será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará (Sl 1:1).

2Tm 4:1,2 - Pregues a palavra. Essa Escritura precisa ser pregada, pela glória da vinda de Cristo, precisa ser pregada. Não apenas sugerida, não apenas explicada, não apenas apresentada, não apenas descrita, mas pregada. De nada adianta entreter, bajular, acomodar, encantar os ouvintes. A Palavra deve ser pregada, isto é, proclamada com toda a convicção, como sendo a verdade vinda de Deus e cujos mandamentos e exortações todos os homens têm o dever de obedecer. Como o arauto que proclama o decreto do rei. O arauto não tem autoridade, mas o decreto que ele proclama tem, pois é a própria voz do Rei que se faz ouvir pela proclamação do arauto. Com longanimidade e doutrina, a Escritura deve ser aplicada ao coração de cada um, lhes apontando com toda a clareza tudo que eles devem fazer e o que não devem fazer. E não somente um tipo de aplicação, mas com todo o equilíbrio e abrangência, dar a cada um o que precisa. Paulo ordena a Timóteo: redarguas – ou seja, argumente, convença, defenda a verdade e a sã doutrina; repreendas – corrijas, censures, denuncies o pecado e falsa doutrina; exortes – ou seja, direcione, estimule, incentive, encoraje os ouvintes a crer e obedecer. Esse é o trabalho principal de uma igreja para iluminar o mundo: proclamar a Palavra, e esta é a única solução que o apóstolo aponta para os tempos trabalhosos (2Tm 3:1).

2Tm 4:3,4 – Virá tempo em que não suportarão a sã doutrina. Deve-se pregar a palavra a tempo e fora de tempo, isto é sempre que houver oportunidade, pois a qualquer momento, as pessoas que estão nos ouvindo poderão se tornar indispostas e nos abandonar. Aqueles que querem uma religião fácil, uma fé que somente lhes traga vantagens, onde não haja lutas nem perseguições, costumam procurar os mestre que falem aquilo que eles querem ouvir. Tendo comichão nos ouvidos, ou seja, como que incomodados com uma coceira (a pregação fiel das exigências de Deus), vão procurar quem coce os ouvidos deles, isto é, pregadores que só falem coisas agradáveis. Assim o falso mestre certamente é condenável e abominável, mas só existe o falso pregador porque também existem pessoas que gostam de ser enganadas e o procuram para o ouvir. Essas pessoas é que amontoam para si doutores conforme as suas próprias concupiscências, isto é, suas cobiças pecaminosas. O falso ministério é alimentado e promovido pelo falso rebanho, daqueles que realmente não querem a verdade da Palavra, e assim cumprem a palavra dita: vão de mal para pior, enganando e sendo enganados (2Tm 3:13).
 
2Tm 4:5-8 - Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. A obra do ministério dele estava acabando, e ele sabia que seria martirizado pelo Evangelho, como uma oferta no altar de Deus, mas que bênção é terminar assim! Poder olhar para trás em nossa vida cristã, quando estiver chegando a nossa hora, e ter uma boa consciência de fidelidade diante de Deus! Assim, a fidelidade que exercemos hoje, rende no final da vida esse fruto de uma partida gloriosa para os braços do Senhor.
 
2Tm 4:9-15 - Procura vir ter comigo depressa. Paulo chama Timóteo, pois ele é um dos poucos com que pode realmente contar. Na hora da angústia é que nasce o irmão (Pv 17:17), nos tempos difíceis é que os votos e promessas de amizade são postos à prova.
Traze os livros (2Tm 4:13) certamente os rolos da Palavra de Deus, dando para nós um tremendo exemplo de dependência da Palavra, que mesmo o apóstolo em face da sua despedida desta vida, não aguenta ficar sem ler. Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração (Jr 15:16).

2Tm 4:16-22 – Ninguém me assistiu na minha primeira defesa... Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me. Paulo diante do tribunal não teve ninguém para ajudá-lo a se defender. Mas teve a presença verdadeira e real de Cristo consigo, que foi mais do que suficiente. Porque, quando meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me recolherá (Sl 27:10). Tenho posto o SENHOR continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei. Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha glória; também a minha carne repousará segura (Sl 16:8,9). Assim o apóstolo se despede, proclamando a convicção da comunhão que tem com Cristo, que é a razão de toda a felicidade e bem-aventurança que sempre esteve com ele, e agora muito mais passaria a estar, na eternidade gloriosa em Sua presença.
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